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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Maranhão começa a desenhar o turismo que quer construir até 2040


Oficinas territoriais reúnem poder público, trade, empresas e comunidades para definir caminhos para um turismo mais integrado, sustentável e competitivo no Maranhão até 2040.

Por Geíza Batistta

Pensar o turismo do Maranhão para além de uma gestão e dos próximos anos. Esse foi o propósito da primeira Oficina Territorial para a construção do Plano de Turismo do Maranhão 2040, realizada nesta segunda-feira (17), em São Luís. O encontro reuniu representantes do poder público, iniciativa privada, entidades do trade, instâncias de governança, instituições e comunidades em uma construção que pretende ouvir quem vive, trabalha e empreende no turismo.

Realizada no Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), a oficina colocou na mesma mesa diferentes olhares sobre os caminhos que o Estado precisa seguir para transformar seu potencial turístico em desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental.

A proposta é construir um planejamento de longo prazo, capaz de atravessar diferentes gestões e dar continuidade às políticas para o setor, sem perder de vista as características e necessidades de cada território.

Mais destinos, menos concentração

O diagnóstico apresentado durante o encontro mostrou que o Maranhão convive com realidades distintas. Enquanto destinos como os Lençóis Maranhenses registram forte crescimento da visitação e já discutem sustentabilidade e capacidade de receber turistas, outras regiões ainda enfrentam dificuldades para entrar nos principais circuitos.

Infraestrutura, conectividade, segurança, qualificação profissional, sazonalidade e melhoria dos serviços estão entre os desafios apontados. Ao mesmo tempo, existe um Maranhão de muitos outros destinos, experiências, culturas e comunidades que ainda podem ser melhor inseridos no mapa turístico.

Para o secretário adjunto de Turismo, Ruan Tavares, um dos principais objetivos é construir um plano de Estado, capaz de atravessar mudanças de governo e garantir continuidade às políticas para o setor. Ele também destacou a necessidade de conciliar o crescimento da visitação com a sustentabilidade dos destinos, especialmente dos Lençóis Maranhenses.

O consultor Ricardo Cirqueira, da Turismo 360, chamou atenção para a concentração dos fluxos turísticos em poucos destinos. A descentralização, nesse sentido, pode contribuir para distribuir melhor os benefícios da atividade e estimular novas experiências em outras regiões.

Trade unido para fortalecer o turismo

A participação do setor empresarial trouxe demandas diretamente relacionadas à experiência de quem visita o Maranhão. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Maranhão (ABIH-MA), Joaquim Oliveira, destacou a necessidade de ampliar a conectividade aérea, melhorar a infraestrutura, fortalecer a segurança, qualificar os serviços e promover o destino nos mercados nacional e internacional.

A qualificação profissional também entrou na pauta. Para Alysson Soares, representante do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação do Maranhão (SEHAMA), o crescimento do turismo precisa ser acompanhado pela formação e disponibilidade de trabalhadores preparados para atender às novas demandas.

A mensagem que atravessou as diferentes falas foi a necessidade de união. Poder público, empresários, trabalhadores, instituições, academia e comunidades precisam atuar de forma articulada para que o turismo avance de maneira mais organizada e gere resultados para os territórios.

O presidente da Instância de Governança Regional do Polo São Luís, Edson Duarte, defendeu justamente essa integração e o aproveitamento das experiências acumuladas em planejamentos anteriores. A ideia é identificar o que avançou, o que ainda não saiu do papel e quais ações precisam ser retomadas.

Comunidades e pequenos negócios também precisam ter voz

Outro aspecto importante do planejamento é garantir que o desenvolvimento turístico alcance os pequenos negócios e as comunidades que fazem parte dos destinos.

Para Flor de Maria, analista do Sebrae-MA e gestora de Turismo do Polo São Luís, a construção coletiva aproxima empresas, governo e comunidades. Ela destacou a importância de capacitações, intercâmbio de experiências e oportunidades para que pequenos empreendedores estejam preparados para aproveitar o crescimento da atividade.

Esse olhar é fundamental em um Estado cuja riqueza turística está também na cultura, no artesanato, na gastronomia, nas experiências comunitárias e na diversidade dos seus territórios.

A escuta agora percorre o Maranhão

Depois de São Luís, as Oficinas Territoriais seguem por diferentes regiões do Estado. A programação passa por Viana, Cururupu, Itapecuru Mirim, Carutapera, Caxias, Açailândia, Carolina, Grajaú, Pastos Bons e Tutóia.

A descentralização é estratégica. Cada território tem sua própria identidade, seus atrativos, desafios e possibilidades. Ouvir essas diferenças ajuda a evitar que o planejamento seja construído apenas a partir da capital ou dos destinos que já concentram grandes fluxos.

O Plano de Turismo do Maranhão 2040 nasce, portanto, com uma missão que vai além da elaboração de um documento. O verdadeiro desafio será transformar a escuta em metas, ações e políticas permanentes, fortalecendo a união do trade e aproximando ainda mais governo, empresas, trabalhadores e comunidades.

Porque turismo forte não se faz sozinho. Ele depende de quem governa, empreende, trabalha, pesquisa, preserva e vive nos destinos.

E quando esses diferentes atores conseguem caminhar na mesma direção, quem ganha não é apenas o turista. Ganham os territórios, as comunidades, os pequenos negócios e o próprio Maranhão.

Texto: Geíza Batistta


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