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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Babaçu, artesanato e protagonismo feminino ganham espaço na Feira do Empreendedor Sebrae 2026


Projeto Quilombás, de Cantanhede, levou o artesanato produzido por mulheres quilombolas à Feira do Empreendedor e mostrou como saberes tradicionais podem gerar renda, fortalecer a cultura e abrir caminhos para o turismo sustentável.

O artesanato produzido a partir do coco babaçu e o protagonismo feminino ganharam destaque na 12ª Feira do Empreendedor Sebrae 2026, realizada de 14 a 16 de agosto, no Multicenter Negócios e Eventos, em São Luís. Promovida pelo Sebrae Maranhão, a feira reuniu empreendedores, pequenos negócios e iniciativas ligadas à inovação, finanças, agricultura familiar, turismo, artesanato, sustentabilidade, diversidade e economia criativa. Mais de 7 mil pessoas passaram pelo evento somente no primeiro dia.

Entre as iniciativas presentes esteve o Projeto Quilombás, da comunidade quilombola da Viúva, em Cantanhede, que apresentou produtos artesanais feitos por mulheres a partir do babaçu. A iniciativa mostra como a economia criativa pode transformar recursos do território em oportunidades de trabalho e renda, mantendo vivos conhecimentos transmitidos entre gerações.

“Mais do que peças artesanais, os produtos apresentados pelo Quilombás carregam histórias, identidade e conhecimentos transmitidos de geração em geração. O trabalho também reforça a importância da valorização da biodiversidade e da permanência da floresta em pé como parte de uma cadeia produtiva sustentável”, afirmou a secretária de Igualdade Racial de Cantanhede, Rosangela Ludovico.

Mulheres que transformam o território

A força do projeto também esteve na programação de conhecimento da feira. Maria Josiane Pacheco, líder do Quilombás, participou da roda empreendedora “Economia Criativa da Floresta: Cultura, Natureza e Negócios”, no espaço ESG Turismo e Economia Criativa, com mediação de Cristiane Corrêa, do Sebrae Maranhão.


O encontro reuniu ainda Nelinha do Babaçu, empreendedora social e sócia da Reflyta, e Aline Martins, do Grupo Mulheres em Ação e da Delícias do Quilombo Cumum. A discussão abordou o potencial do babaçu na bioeconomia e a importância de fortalecer sua cadeia produtiva sem esgotar os recursos naturais.

“Se você conhece e respeita a cultura e a natureza, preservando, porque é minha essência, meu povo é minha vida! A mãe natureza nos dá tudo! Amamos a natureza! Os três andam juntos, um elo e uma parceria: a bioeconomia do meu coletivo”, afirmou Josiane.

Nascida em Palmeirândia, na Baixada Maranhense, Nelinha do Babaçu, nome pelo qual é conhecida Cornélia Rodrigues, é filha de lavrador e de quebradeira de coco. Sua trajetória está ligada à valorização do babaçu, à sustentabilidade e ao empreendedorismo social.

Já Aline Martins, da comunidade quilombola de Cumum, em Guimarães, transformou uma receita de biscoito de tapioca aprendida com a avó em negócio e fonte de renda para outras mulheres. Vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2024, ela também integra o Grupo Mulheres em Ação.

“A união entre as mulheres e o empreendedorismo é capaz de transformar”, destacou Aline.

Artesanato e turismo: histórias que circulam

O Quilombás esteve entre os negócios maranhenses selecionados para a Brasil BioMarket, espaço dedicado à comercialização de produtos da bioeconomia. A participação reforçou que o artesanato pode ir além do consumo e apresentar ao visitante um território, seus modos de fazer e a história de quem mantém esses saberes vivos.

Essa conexão aproxima o artesanato do turismo cultural, comunitário e de experiência, valorizando cultura, gastronomia, ancestralidade e a relação das comunidades com a natureza.

O turismo de base comunitária também esteve representado na feira com a Rota dos Quilombos, iniciativa desenvolvida com assessoramento do INSPOSUMA, que valoriza experiências, saberes, gastronomia e manifestações culturais de comunidades quilombolas do Maranhão. A presença da iniciativa reforçou o diálogo entre empreendedorismo, cultura e turismo sustentável. O momento também proporcionou o reencontro com Zina, profissional ligada à Rota e parceira do turismo maranhense. (Rota dos Quilombos)

Saberes que geram futuro

O encontro de iniciativas como Quilombás e Rota dos Quilombos mostra que o desenvolvimento dos territórios pode partir de quem vive neles. No babaçu, no artesanato, na gastronomia e nas experiências comunitárias estão possibilidades de geração de renda sem abrir mão da identidade cultural.

Para o turismo maranhense, esse movimento amplia os caminhos para conhecer o estado a partir de suas comunidades, seus saberes e suas histórias.

Do babaçu vêm as peças. Das mulheres, vem a força. E do território, uma história que pode se transformar em experiência, renda e futuro. 

Texto: Geíza Batistta - Jornalista | Jornalismo Sustentável

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