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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Dia Nacional do Tambor de Crioula: quando a cultura dança e o artesanato guarda memórias do Maranhão

Manifestação centenária inspira visitantes, movimenta o artesanato e reforça a singularidade cultural maranhense


O som dos tambores anuncia a roda. As coreiras entram em cena com seus giros marcados pela leveza das saias coloridas, enquanto cantos e toadas conduzem uma das mais autênticas expressões da cultura maranhense. Celebrado em 18 de junho, o Dia Nacional do Tambor de Crioula homenageia uma tradição que atravessa gerações e permanece viva nos terreiros, comunidades e festejos populares do Maranhão.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o Tambor de Crioula tem origem afro-brasileira e é tradicionalmente dedicado a São Benedito. Na roda, a dança acontece em sintonia com os tocadores, formando um espetáculo espontâneo em que música, movimento e devoção caminham juntos.

Ao longo dos anos, grupos tradicionais contribuíram para manter viva essa herança cultural. Entre eles, o Tambor de Crioula de Mestre Felipe tornou-se uma referência na preservação dos saberes transmitidos de geração em geração.

Durante o São João, a brincadeira conquista novos admiradores e desperta a curiosidade de quem visita o estado. A experiência vai além de assistir às apresentações. Muitos turistas entram na roda, aprendem os primeiros passos e descobrem uma manifestação marcada pelo acolhimento e pela participação coletiva.

Foi o que aconteceu com Marina Albuquerque, de 42 anos, moradora de São Paulo. Em viagem para conhecer os Lençóis Maranhenses, ela encontrou, no Arraial do Ipem, dentro da roda do Tambor de Crioula, uma das experiências mais marcantes de sua passagem pelo Maranhão.

“Eu vim pelos Lençóis Maranhenses, mas fui surpreendida pela riqueza cultural que encontrei aqui. Quando vi o Tambor de Crioula pela primeira vez, senti uma energia muito forte. É uma dança que acolhe. As pessoas convidam você para participar, para sentir o ritmo. Acabei entrando na roda, e foi uma experiência inesquecível. Quando encontrei o artesanato que representava esse momento, fiz questão de comprar peças de artesanato, porque quero guardar essa lembrança para sempre”, contou Marina Albuquerque.

A emoção que nasce na roda também inspira o trabalho de quem transforma cultura em arte. Artesã e coreira, Lúcia Franco encontra nas tradições populares a principal referência para suas criações, que incluem biojoias e souvenirs inspirados na cultura popular maranhense.

“O Tambor de Crioula faz parte da minha vida. Quando estou dançando, sinto uma conexão muito forte com nossas raízes. Essa vivência também influencia meu trabalho artesanal. Gosto de valorizar a riqueza dos detalhes, o colorido das festas e a beleza das manifestações que fazem parte do nosso dia a dia. O visitante percebe esse carinho e leva consigo uma lembrança carregada de significado”, disse, entusiasmada, a artesã.

Nas feiras, arraiais e espaços de comercialização, os souvenirs inspirados na cultura popular estão entre os itens mais procurados. São peças que ajudam a contar histórias e permitem que visitantes levem para casa uma recordação das experiências vividas no Maranhão.

Para a secretária de Estado do Turismo do Maranhão, Socorro Araújo, o Tambor de Crioula é um dos elementos que tornam o estado um destino singular para quem busca vivências culturais autênticas.

“O Tambor de Crioula traduz a alma do Maranhão. É uma manifestação que reúne história, ancestralidade, religiosidade e alegria em uma única expressão cultural. Quando o visitante conhece essa tradição, ele leva consigo muito mais do que uma lembrança; leva uma experiência autêntica e um contato verdadeiro com a identidade do nosso povo. O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), trabalha para valorizar e promover essas manifestações que fortalecem nossa cultura e impulsionam o turismo em todo o estado”, destacou a secretária.

Além dos arraiais juninos, o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama) reúne trabalhos produzidos por artesãos de diversas regiões do estado. O espaço oferece ao visitante a oportunidade de conhecer técnicas tradicionais, adquirir peças exclusivas e levar consigo um pouco da criatividade maranhense.

Entre o toque dos tambores e o trabalho das mãos artesãs, o Maranhão segue preservando uma herança cultural que emociona, encanta e fortalece sua identidade diante do Brasil e do mundo.
 

Texto e Fotos: Geíza Batistta

Assessora de Comunicação Ceprama / Setur-MA

Fonte: Setur-MA

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Não há jornalismo independente forte sem jornalistas valorizados

A carta aberta divulgada pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e por 31 Sindicatos de Jornalistas Profissionais do Brasil traz uma reflexão necessária e urgente sobre o futuro da nossa profissão. Mais do que um posicionamento institucional, o documento reforça uma pauta histórica da categoria: a valorização dos jornalistas e a defesa de condições dignas de trabalho.

Como jornalista que atua nas áreas de cultura, turismo, sustentabilidade e economia criativa, recebi essa carta com atenção e identificação. Ao longo da minha trajetória, acompanhando o trabalho de artesãos, mestres da cultura popular, empreendedores do turismo e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável, aprendi que o jornalismo tem um papel fundamental na valorização das pessoas, dos territórios e das histórias que precisam ser contadas.

Mas para que possamos cumprir essa missão com responsabilidade, independência e qualidade, é necessário que também sejamos valorizados.

A carta da FENAJ reconhece a importância dos veículos independentes, alternativos e progressistas para a democratização da informação e para a ampliação da pluralidade de vozes. Concordo plenamente com essa visão. O fortalecimento de diferentes meios de comunicação é essencial para a democracia. No entanto, também concordo que nenhum projeto editorial pode ser sustentado à custa da precarização do trabalho jornalístico.

A pejotização irregular, a sobrecarga de trabalho, a falta de garantias trabalhistas e outras práticas que fragilizam a categoria não podem ser naturalizadas. Defender direitos na esfera pública e negar direitos dentro das redações é uma contradição que precisa ser enfrentada.

Não existe jornalismo sustentável sem profissionais valorizados. Quando jornalistas trabalham com segurança, remuneração justa, direitos garantidos e reconhecimento profissional, toda a sociedade ganha. A informação produzida torna-se mais qualificada, mais profunda e mais comprometida com o interesse público.

Nas áreas que acompanho diariamente, vejo o quanto o jornalismo é capaz de transformar realidades, preservar memórias, fortalecer identidades culturais e impulsionar a economia criativa. Mas esse trabalho só é possível porque existem profissionais dedicados, que muitas vezes enfrentam desafios cada vez maiores para exercer a profissão.

Por isso, considero a carta da FENAJ um chamado importante à reflexão e à coerência. Defender o jornalismo independente é fundamental. Defender os jornalistas que tornam esse jornalismo possível é indispensável.

Não haverá jornalismo forte, democrático e sustentável sem profissionais respeitados, protegidos e valorizados. Essa não é apenas uma luta da categoria. É uma defesa da própria qualidade da informação e da democracia.

Texto: Geíza Batistta - Jornalista Cultural | Turismo, Sustentabilidade e Economia Criativa.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Artesanato maranhense é presença confirmada no Arraial da Assembleia 2026 e reforça a geração de renda durante o São João

Além da rica programação cultural que promete movimentar o Arraial da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), entre os dias 18 e 21 de junho, o artesanato maranhense terá espaço garantido em um dos eventos mais tradicionais do calendário junino da capital.

Reconhecido como uma das expressões mais autênticas da identidade cultural do Maranhão, o artesanato chega ao arraial como um dos grandes atrativos para visitantes, turistas e maranhenses que buscam levar para casa muito mais do que uma lembrança: uma verdadeira obra de arte produzida pelas mãos de artesãos e artesãs que transformam saberes ancestrais em fonte de renda e desenvolvimento social.

Ao longo dos quatro dias de programação, o público poderá conhecer e adquirir peças inspiradas na cultura popular maranhense, fortalecendo a economia criativa e incentivando o trabalho de famílias que encontram no artesanato uma importante atividade econômica.

Entre os produtos disponíveis estarão biojoias produzidas com matérias-primas naturais, peças em palha, bordados inspirados no Bumba Meu Boi, trabalhos em biscuit e cerâmica, indumentárias e acessórios utilizados nas manifestações juninas, artigos em crochê, turbantes e adereços de cabelo com forte influência da cultura afro-brasileira, além de brinquedos artesanais confeccionados em madeira. A diversidade de tipologias evidencia a riqueza do fazer artesanal maranhense e a criatividade de artesãos de diferentes regiões do estado.

A edição 2026 do Arraial da Assembleia contará com grandes atrações da cultura popular maranhense, espaço infantil, transmissão do jogo da Seleção Brasileira, além de 15 barracas de alimentação, em sua maioria administradas por entidades filantrópicas. O evento também reunirá os carrinhos do Programa Mais Renda, estandes de artesanato e vendedores ambulantes, ampliando as oportunidades de geração de trabalho e renda durante os festejos juninos.

A estrutura oferecerá ainda estacionamento no Sebrae, com transporte gratuito para o local da festa, garantindo mais comodidade ao público.

“O artesanato maranhense é um dos maiores patrimônios culturais do nosso estado. Cada peça carrega identidade, tradição, memória e o talento de homens e mulheres que mantêm vivos saberes transmitidos entre gerações. Durante o São João, além de enriquecer a experiência dos visitantes, o artesanato desempenha um papel fundamental na geração de trabalho e renda para centenas de famílias, fortalecendo a economia criativa e valorizando a cultura popular maranhense. Ter esses artesãos presentes nos arraiais é reconhecer a importância de quem transforma cultura em oportunidade e desenvolvimento”, destacou a secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo.

Para a artesã Lúcia Franco, participar do arraial representa uma oportunidade importante para divulgar seu trabalho e ampliar as vendas durante a temporada junina.

“Os arraiais são uma grande vitrine para o artesanato maranhense. É uma oportunidade de apresentar nosso trabalho para turistas e para o próprio público local, gerando renda para nossas famílias e valorizando a nossa cultura. É um orgulho ver nossas peças fazendo parte dessa grande festa e saber que cada cliente leva para casa um pouco da história, da tradição e da identidade do Maranhão”, afirmou.

SERVIÇO

O quê? Artesanato maranhense no Arraial da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema)

Quando? Dias 18, 19, 20 e 21 de junho de 2026, a partir das 17h30

Onde? Sede da Assembleia Legislativa do Maranhão – Avenida Jerônimo de Albuquerque, s/n, Cohafuma, São Luís (MA)

Texto e Foto: Geíza Batistta

FONTE: Turismo.ma.gov.br


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ceprama fortalece o artesanato e valoriza a cultura maranhense durante todo o ano

O Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama) segue ampliando sua atuação como espaço de promoção do artesanato, do turismo e da cultura maranhense. Vinculado à Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), o equipamento reúne artesãos de diversas regiões do estado e recebe diariamente visitantes interessados em conhecer a produção artesanal local.

Nos últimos anos, o Ceprama passou por melhorias estruturais e ampliou suas ações de apoio aos artesãos, com a realização de capacitações, oficinas, exposições e iniciativas voltadas ao fortalecimento da comercialização dos produtos artesanais.

Além dessas ações, o espaço também vem fortalecendo sua vocação cultural por meio de parcerias institucionais. Em parceria com o Núcleo de Arte-Educação (NAE), da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), o Ceprama recebe atividades voltadas à formação artística de crianças e adolescentes das redes pública estadual e municipal, com aulas de dança, violão e musicalização. A iniciativa deverá ser ampliada futuramente com a oferta de novas linguagens artísticas, incluindo atividades teatrais.

Para o gestor do Ceprama, Silverio Costa, o espaço desempenha um papel importante na geração de oportunidades para os profissionais do setor.

“O Ceprama é a casa do artesão maranhense. Trabalhamos para fortalecer esse espaço, ampliar oportunidades de comercialização e oferecer aos visitantes uma experiência autêntica com a cultura do Maranhão”, destacou.

A secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, ressalta a importância do equipamento para o desenvolvimento do turismo cultural.

“Valorizar o Ceprama é valorizar os artesãos e os saberes que fazem parte da identidade do Maranhão. O espaço é uma importante vitrine da nossa cultura e um ponto de visitação procurado por turistas durante todo o ano”, afirmou.

Entre os eventos que integram a programação cultural do espaço está a tradicional Festança Junina, realizada há 22 anos pelo produtor cultural Mário Jorge. Promovida sempre no último fim de semana de maio, a iniciativa conta com patrocínio do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secma), da Equatorial Energia e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, além do apoio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), por meio do Ceprama.

O evento abre oficialmente a temporada junina no espaço, reunindo atrações culturais, artesanato, gastronomia e manifestações da cultura popular maranhense.

Durante o período junino, artesãos e artesãs do Ceprama também participam dos arraiais promovidos pelo Governo do Maranhão, levando suas produções para milhares de visitantes em diferentes pontos da capital.

Em 2026, o São João do Maranhão conta com ampla programação cultural, reunindo mais de 700 atrações distribuídas em 25 arraiais e espaços públicos na Grande São Luís, além de programação em diversos municípios maranhenses. A iniciativa fortalece as manifestações culturais, gera oportunidades para artistas, grupos folclóricos e empreendedores, além de ampliar a visibilidade do artesanato maranhense.

Localizado na Madre Deus, bairro reconhecido por sua forte tradição cultural, o Ceprama integra uma das regiões mais simbólicas das celebrações juninas de São Luís. O espaço está próximo ao tradicional Festejo de São Pedro, realizado anualmente no dia 29 de junho, uma das mais importantes manifestações da cultura popular maranhense, que reúne grupos de bumba meu boi de diferentes sotaques, devotos e milhares de visitantes.

Aberto durante todo o ano, o Ceprama permanece como referência para quem deseja conhecer a riqueza do artesanato maranhense, contribuindo para a preservação dos saberes populares, o fortalecimento da economia criativa e a valorização da cultura do Maranhão.

Dando continuidade à programação de atividades desenvolvidas no espaço, o Ceprama receberá, entre os dias 3 e 5 de julho, o Festival das Tradições voltado à promoção da arte, do artesanato, da música e do empreendedorismo criativo, reunindo atrações culturais, expositores e atividades abertas ao público.

SERVIÇO

Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama)

Endereço: Rua São Pantaleão, Madre Deus, São Luís – MA.

Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h00, e aos sábados, das 9h às 13h.

Texto: Geíza Batistta - Ascom Ceprama (Setur-MA)

domingo, 7 de junho de 2026

Mulheres quilombolas do Maranhão transformam o babaçu em empreendedorismo e renda

Mulheres quilombolas de Cantanhede transformam saberes
ancestrais em renda, autonomia e pertencimento.(Foto: Ana Angelotti) 

Em Cantanhede MA, o Projeto Quilombás une tradição, geração de renda e protagonismo feminino, levando produtos feitos a partir do babaçu para vitrines nacionais e internacionais. 

Por: Geíza Batistta

Biojoias produzidas com fibras naturais carregam
identidade, memória e sustentabilidade.
Foto: A
na Angelotti
Quando vê uma biojoia produzida por suas mãos seguir viagem para outro estado ou até para outro país, a artesã quilombola Maria Josiane Pacheco sabe que não está vendendo apenas um produto.

“Quando alguém leva uma peça feita por nós, leva também nossa cultura, nosso afeto, nossa união e a força do povo quilombola. É o reconhecimento da nossa ancestralidade, e isso nos enche de orgulho”, afirma.

Maria Josiane Pacheco apresenta produtos do
 Quilombás durante evento nacional de artesanato
 em São Paulo. (Foto: Geíza Batistta
)

A emoção de Maria Josiane ajuda a contar uma trajetória que começou muito antes das feiras nacionais, dos certificados e das vitrines. Uma caminhada construída pelas mãos de mulheres quilombolas que aprenderam com mães, avós e bisavós a transformar o babaçu em fonte de sustento, identidade e resistência.

A cerca de 160 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão, o conhecimento ancestral preservado nas comunidades quilombolas maranhenses da Viúva, Cachimbo, Barrocão, Tiririca, Buriti, Recanto Dois e Tambá ganhou novos horizontes em 2025 com a criação do Projeto Quilombás, iniciativa da Secretaria Municipal de Igualdade Racial da Prefeitura de Cantanhede MA.

Mais que um coletivo produtivo,
o Quilombás é uma rede de apoio, afeto e
fortalecimento feminino (Foto: Ana Angelotti)
O projeto reúne mulheres quilombolas e campesinas que encontraram no empreendedorismo uma forma de ampliar a autonomia financeira, preservar tradições e criar novas perspectivas para suas famílias.

“Falar do Quilombás é falar de vidas, cultura, afeto e coletividade. Somos força e transformação. Essas mulheres dão sentido ao projeto e hoje carregam com orgulho o sentimento de pertencimento a essa história”, destaca Maria Josiane Pacheco.

A tradição das quebradeiras de coco inspira
novas oportunidades para mulheres do Maranhão.
Foto: A
na Angelotti
Nas comunidades participantes, o babaçu está presente em praticamente tudo. Da amêndoa surgem óleos, sabonetes e alimentos. Da palha nascem biojoias, bolsas, cestarias e peças decorativas que carregam a identidade maranhense. O diferencial está no aproveitamento integral da matéria-prima, em um modelo baseado no desperdício zero e alinhado aos princípios da bioeconomia sustentável.

Segundo a secretária municipal de Igualdade Racial de Cantanhede, Rosângela Ludovico, a iniciativa converteu um saber tradicional em uma oportunidade concreta de desenvolvimento.

Das mãos das artesãs nascem produtos
que levam a cultura maranhense para
novos mercados. Foto: Ana Angelotti
“O Projeto Quilombás trouxe mudanças significativas para a vida dessas mulheres. Além da geração de renda, fortaleceu a independência financeira, a autoestima e o vínculo com suas origens. Muitas passaram a reconhecer seus conhecimentos tradicionais como um patrimônio capaz de garantir sustento e manter viva a cultura da comunidade”, afirma.

Os resultados apareceram rapidamente. Dados da Secretaria Municipal de Igualdade Racial de Cantanhede mostram que o coletivo reúne atualmente 40 mulheres, beneficia diretamente 40 famílias, comercializou cerca de 600 peças e movimentou aproximadamente R$ 30 mil desde sua criação.

Artesã quilombola, Maria Josiane
encontrou no babaçu uma forma de preservar
tradições e gerar renda.
 
Foto: Ana Angelotti
Por trás desses números existe uma rede de apoio voltada ao fortalecimento do empreendedorismo feminino. As participantes receberam capacitações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Sebrae, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural Senar e de outros parceiros, contribuindo para o aprimoramento das técnicas artesanais, da gestão e das estratégias de venda.

“Tivemos pessoas que acreditaram em nós quando nem nós mesmas acreditávamos. Os professores do Sebrae sempre reforçavam que éramos capazes. Descobrimos que o conhecimento herdado de nossas mães e avós tinha valor e podia alcançar lugares que nunca imaginamos”, recorda a artesã Maria Pacheco.

Cada peça guarda histórias de
 ancestralidade e resistência
quilombola.Foto: Geíza Batistta
O fortalecimento do grupo também contou com o apoio do Instituto IVG, do Governo do Maranhão, por meio do Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão Ceprama, Setur-MA, e da atuação de Nelinha do Babaçu, referência na valorização das quebradeiras de coco e dos saberes tradicionais maranhenses.

O reconhecimento veio acompanhado de conquistas importantes. Trinta artesãs receberam a Carteira Nacional do Artesão, emitida pelo Programa do Artesanato Brasileiro PAB, e passaram a contar com o selo Origem Quilombola, certificação que reforça a identidade dos produtos e amplia as possibilidades de acesso a novos mercados.

O trabalho desenvolvido pelas artesãs também ultrapassou os limites de Cantanhede MA. O grupo participou do Salão do Artesanato, em São Paulo, passou a fornecer produtos para comercialização no Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão Ceprama e vendeu suas produções durante ações ligadas à COP30, em Belém.

Rosangela Ludovico e artesãs quilombolas
fortalecem a transmissão de conhecimentos.
Foto: Geíza Batistta


“A presença nesses espaços gerou visibilidade, reconhecimento e novas possibilidades de negócio. Ver os produtos despertando interesse em pessoas de diferentes regiões fortaleceu a confiança das artesãs e impulsionou o empreendedorismo local”, ressalta Rosângela Ludovico.

Para a gestora, o sucesso do Quilombás é resultado da articulação entre políticas públicas, qualificação e valorização dos conhecimentos tradicionais.

“O Quilombás alcançou essa dimensão graças à união entre a Prefeitura de Cantanhede, o Governo do Maranhão, o Sebrae, o Senar, o Instituto IVG, Nelinha do Babaçu e iniciativas voltadas ao artesanato. Hoje vemos mulheres que antes tinham pouca visibilidade ocupando espaços nacionais e internacionais com seus produtos e suas trajetórias”, destaca.

Em um estado que abriga a segunda maior população quilombola do Brasil, mais de 269 mil pessoas, segundo o Censo 2022 do IBGE, iniciativas como o Quilombás demonstram que o desenvolvimento sustentável também pode surgir da preservação cultural.

Cada trama preserva conhecimentos
herdados de mães, avós e bisavós.
Foto: Ana Angelotti
Enquanto uma peça produzida em Cantanhede segue viagem para outros estados ou países, permanece nas comunidades algo ainda mais valioso: a certeza de que as raízes que sustentam a identidade de um povo também podem abrir caminhos para o futuro. E que o empreendedorismo feminino, quando encontra apoio, conhecimento e pertencimento, transforma vidas sem romper os laços com a própria história.

Texto: Geíza Batistta
Fotos: Geíza Batistta e Ana Angelotti

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Artesanato maranhense transforma arraiais em vitrines da cultura e da economia criativa

O artesanato maranhense estará em evidência nos principais arraiais da capital durante a programação do São João do Maranhão 2026. A partir do dia 6 de junho, artesãos, associações e grupos produtivos de diversas regiões do estado ocuparão o Barracão do Artesanato no Arraial do Ipem, localizado no bairro Calhau, em São Luís. O espaço reunirá uma ampla variedade de produtos que refletem a identidade cultural, a criatividade e os saberes tradicionais do Maranhão.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), por meio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) no Maranhão e do Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), ampliando as oportunidades de comercialização para os artesãos em um dos períodos de maior movimentação turística do estado.


No local, visitantes e maranhenses poderão encontrar biojoias produzidas com sementes naturais, peças em fibra de buriti, cerâmica, madeira, bordados, renda de bilro, acessórios, artigos decorativos, souvenirs e produtos inspirados nos elementos que compõem a cultura popular maranhense.

“O artesanato é uma das expressões mais genuínas da identidade do Maranhão. Nos arraiais, ele aproxima os visitantes da nossa cultura, gera oportunidades para os artesãos e fortalece tradições que atravessam gerações, levando a riqueza do nosso estado para cada pessoa que escolhe levar um pouco dessa história para casa”, destaca a secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo.

Considerado um dos mais tradicionais e visitados do período junino, o Arraial do Ipem oferece uma vitrine estratégica para a divulgação do trabalho dos artesãos, reunindo diariamente milhares de pessoas em busca das manifestações culturais, da gastronomia típica e das experiências que fazem do São João do Maranhão uma referência nacional.

A programação do artesanato no Ipem segue até o dia 5 de julho, acompanhando toda a agenda cultural do arraial. Ao longo da temporada junina, o público também poderá encontrar o talento dos artesãos maranhenses em outros importantes espaços da festa, como o Arraial da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) e o Convento das Mercês, ampliando as oportunidades de comercialização e reafirmando o artesanato como um dos grandes protagonistas da cultura popular maranhense.

SERVIÇO

O quê? Artesanato maranhense nos arraiais do São João do Maranhão.

Onde e quando?

Arraial do Ipem

De 6 de junho a 5 de julho de 2026.

Local: Avenida A, bairro Calhau, São Luís (MA).

 

Arraial da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema)

Dias 18, 19, 20 e 21 de junho de 2026.

Local: Sede da Assembleia Legislativa do Maranhão, Avenida Jerônimo de Albuquerque, s/n, Cohafuma, São Luís (MA).

 

Convento das Mercês

Dias 9, 10, 11 e 12 de julho de 2026.

Dias 16, 17, 18 e 19 de julho de 2026.

Dias 23, 24, 25 e 26 de julho de 2026.

Local: Rua da Palma, nº 502, Centro Histórico, São Luís (MA).

 

Sugestões de entrevistados

• Socorro Araújo – Secretária de Estado do Turismo do Maranhão

• Artesãos e artesãs participantes da programação

• Representantes de associações e grupos produtivos

Informações para a imprensa

Texto e fotos: Geíza Batistta – Assessoria de Comunicação – (98) 98162-8396

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Roberto Costa faz de Bacabal referência estadual ao sediar o 7º Encontro dos Artesãos do Maranhão.

Nos dias 30 e 31 de maio, Bacabal foi palco de um dos maiores eventos de valorização da cultura e da economia criativa do estado. Sediando o 7º Encontro dos Artesãos do Maranhão, o município recebeu mais de 360 artesãos de mais de 40 cidades maranhenses, transformando a Praça Santa Teresinha em um grande espaço de celebração da arte, da tradição e da identidade cultural do Maranhão. O evento contou com total apoio da gestão do prefeito Roberto Costa.

Durante os dois dias de programação, artesãos e artistas de diversas regiões do estado apresentaram ao público a riqueza da produção maranhense, em uma exposição marcada pela diversidade folclórica, ambiental e cultural. Peças de crochê, bolsas de fibra de buriti, biojoias, artesanato indígena e roupas que estampavam as cores e símbolos do Maranhão atraíram visitantes e fortaleceram a valorização do trabalho artesanal.

Além do suporte logístico para a realização do encontro, a Prefeitura de Bacabal garantiu hospedagem, alimentação e estrutura para os participantes vindos de outros municípios, promovendo integração, acolhimento e incentivando o fortalecimento da cultura e da economia criativa maranhense.

Vandra de Sousa, artesã grajauense da etnia Guajajara, compartilhou a alegria de vivenciar uma experiência como essa pela primeira vez, apresentando adornos indígenas aos visitantes. “Foi o maracá e o mocó que me permitiram criar meus cinco filhos e meu neto. É daqui que tiro o sustento da minha família. Está sendo muito bom participar deste evento”, afirmou.

A programação cultural encantou o público com apresentações da Dança do Lili, de Caxias; da cantora Mara do Arrocha, de Santa Rita; da Junina Os Garapas; e do cantor Frahm Almeida, de Bacabal. A praça de alimentação também contribuiu para movimentar a economia local, impulsionando empreendimentos e tornando o evento ainda mais atrativo para as famílias bacabalenses.

Maria dos Anjos, presidente da Associação Comunitária dos Artesãos Codoenses, contou que, desde 2002, os mais de 30 associados utilizam materiais descartados da extração do coco babaçu como matéria-prima para suas produções. “Aqui vendemos muitas lembrancinhas. Fomos muito bem recebidos pela organização, e o público tem elogiado bastante o nosso trabalho. Fazemos tudo com amor, valorizando nossa riqueza natural”, destacou.

Representando a coordenação do encontro e a FEDACMA (Federação das Associações e Cooperativas dos Artesãos do Maranhão), Antônio Abreu agradeceu o apoio do prefeito de Bacabal. “Roberto Costa realmente fez a diferença, tornando a sétima edição do nosso encontro algo grandioso. Recebemos todo o apoio da Prefeitura e só temos mesmo que agradecer pelo sucesso do evento”, disse.

O prefeito Roberto Costa fez questão de visitar cada estande de vendas e prestigiar o trabalho dos artistas presentes. Ele destacou a importância do evento para fortalecer a economia local, gerar oportunidades de renda e valorizar os artesãos maranhenses.

"A gente sabe que os artesãos são geradores de renda para suas famílias, reforçam a economia do município. E esses eventos estaduais, a gente sempre vai procurar apoiar porque, como eu disse, movimenta a cidade, é um momento de lazer para a população também vir conhecer, vir se divertir com a família, e também gerar aquilo que é mais importante para os pais de família, para as mães de família, que é uma renda para que eles possam ter a tranquilidade de manter as suas famílias dentro das suas responsabilidades”, afirmou Roberto Costa.

Ao final do encontro, foi anunciada a realização das próximas edições nas cidades de Imperatriz, Pedreiras e Rosário, ampliando a força do movimento artesanal maranhense e o sucesso da edição realizada em Bacabal.

Fonte: Famem

Texto: Carla Ribeiro -  Assessora de Comunicação da Famem