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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Ceprama celebra 37 anos de história e valorização do artesanato maranhense

Revitalizado, o espaço preserva saberes, fortalece o turismo cultural e mantém viva a tradição de quem transforma a identidade maranhense em arte.

Texto e fotos: Geíza Batistta 

20/10/2026

Instalado em um casarão histórico que abrigou, até o final do século XIX, a antiga Fábrica de Fiação e Tecelagem Cânhamo, no bairro Madre Deus, em São Luís (MA), o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama) celebra, nesta terça-feira (20), 37 anos de atuação na valorização, promoção e difusão da cultura e do artesanato maranhenses.

Com aproximadamente 4 mil m² de área total, o espaço reúne 38 estandes dedicados à comercialização de peças artesanais produzidas em diferentes regiões do Maranhão. Os trabalhos expostos refletem a diversidade de matérias-primas encontradas no estado e a riqueza de técnicas e saberes transmitidos entre gerações.

Atualmente, o Salão do Artesanato do Ceprama mantém uma exposição permanente de peças feitas à mão, confeccionadas com matérias-primas como fibra de buriti, sementes, cerâmica, couro, ossos, palha e rendas de bilro, além de trabalhos em azulejaria e outras expressões do fazer artesanal.

“O Ceprama é destino obrigatório para turistas de todo o Brasil e do mundo que visitam o estado em busca da singularidade da cultura e do artesanato local. O Ceprama carrega a identidade cultural do Maranhão, e é missão de toda a sociedade preservar esse legado”, afirmou Socorro Araújo, secretária de Turismo do Maranhão (Setur-MA), órgão responsável pela gestão do espaço.

Da indústria têxtil ao artesanato

Antes de se consolidar como um espaço dedicado à cultura popular maranhense, o prédio que hoje abriga o Ceprama atravessou diferentes fases. Durante décadas, o complexo sediou a Fábrica de Fiação e Tecelagem Cânhamo, que produzia sacarias de estopa a partir de fibras de cânhamo, utilizadas na fabricação de tecidos resistentes. Com o declínio das atividades industriais, o empreendimento encerrou suas operações, e o imóvel permaneceu abandonado por anos.

“A Fábrica Cânhamo fez parte de um grande parque industrial têxtil maranhense, instalado em São Luís no final do século XIX. Àquela época, fazendeiros e empresários que atuavam no Maranhão precisavam de uma atividade para suprir o cenário economicamente desfavorável deixado pela abolição da escravatura”, explica o historiador e guia de turismo Bento Filho.

Com a retração das exportações e o enfraquecimento do setor têxtil tradicional, a fábrica encerrou suas atividades, deixando o complexo industrial em estado de abandono. Na década de 1980, como parte das iniciativas de recuperação e preservação do patrimônio histórico de São Luís, o Governo do Estado promoveu a restauração do imóvel, que deu lugar ao Ceprama, inaugurado em 1989.

“A fábrica fecha no final da década de 1960 e, durante muito tempo, ficou abandonada, esquecida e em ruínas. Até que, em 1989, o Governo do Estado adquire e revitaliza a antiga Fábrica Cânhamo para transformá-la no Centro de Produtos Artesanais do Maranhão”, relata Bento Filho.

Artesanato que atravessa gerações

Ao longo de seus 37 anos, o Ceprama consolidou-se como referência cultural e símbolo do artesanato maranhense. Quem visita o espaço encontra réplicas de azulejos típicos da arquitetura local, miniaturas de elementos do bumba meu boi, telas pintadas a óleo, rendas, doces e licores de diferentes sabores. Em alguns casos, também é possível acompanhar de perto o processo de confecção das peças.

Além de contribuir para o fortalecimento do turismo e da cultura estadual, o Centro transformou-se em uma importante fonte de renda para trabalhadores que encontraram no artesanato uma oportunidade de desenvolver seus talentos e preservar tradições. É o caso de Lúcia Franco, artesã que acompanha a trajetória do Ceprama desde os primeiros anos de funcionamento e produz e comercializa biojoias no local.

Lúcia Franco, uma das primeras artesãs em atividade no Ceprama

Lúcia ingressou no espaço como vendedora, em 1990, e, gradualmente, aprendeu a trabalhar com sementes de diferentes espécies, bordados em miçangas e peças de crochê. Hoje, orgulha-se de sua trajetória profissional e da experiência como permissionária do Ceprama, onde transformou criatividade e dedicação em um ofício.

“Cada peça que eu faço é uma festa. Tudo o que eu faço, para mim, no momento em que monto uma peça, é uma joia. Ainda mais quando o cliente chega e se apaixona. Se tem uma coisa que me deixa envaidecida é alguém comprar uma peça minha e eu sentir que a pessoa gostou. Eu me sinto a mulher mais feliz do mundo”, conta.

Outra artesã que se orgulha de integrar o conjunto de profissionais do Ceprama é Andrelina Neta. Há cerca de 15 anos, ela e o marido, Thyago Silva, confeccionam chapéus artesanais inspirados no bumba meu boi maranhense, utilizando bordados com miçangas, paetês e canutilhos.

Casal Andrelina e Thyago Silva atuam na confecção de chapéus juninos há mais de uma dácada no Ceprama

“Trabalhar no Ceprama é motivo de muito orgulho. Além de trabalhar e ter uma renda fixa com os bordados, estou mostrando a minha cultura, o meu trabalho e o meu artesanato. Aqui no Ceprama, abriu-se uma porta para que eu pudesse mostrar ainda mais o meu trabalho. Para mim, é só gratidão”, relata Andrelina.

Cultura viva o ano inteiro e modernização

Muito além da comercialização de peças artesanais, o Ceprama consolidou-se como um espaço de encontro, expressão artística e difusão da cultura maranhense, recebendo apresentações musicais e manifestações da cultura popular ao longo do ano.

Entre os eventos tradicionais realizados na área externa do complexo está a Festança Junina do Ceprama, que há mais de duas décadas reúne maranhenses e turistas em uma programação que marca anualmente a abertura da temporada junina no estado.

Durante o período festivo, o espaço recebe dezenas de grupos de tambor de crioula, bumba meu boi, quadrilhas juninas, dança portuguesa, blocos tradicionais, cacuriá e outras manifestações que expressam a diversidade das tradições populares do Maranhão.

A concha acústica instalada na área externa também já recebeu centenas de atrações, entre grupos de cultura popular e artistas de projeção nacional e internacional, como a cantora jamaicana Donna Marie, a banda de rock Raimundos e o grupo de rap Racionais MC's.

Nos últimos dois anos, o equipamento cultural passou por uma série de intervenções voltadas à modernização e à melhoria de sua infraestrutura. Entre as ações estão a revitalização do Salão do Artesanato, a renovação do sistema de iluminação, a recuperação dos banheiros, a impermeabilização e revisão do telhado, além da instalação de novos balcões e estantes.

“Nosso objetivo sempre foi fortalecer o papel do Ceprama como vetor para o turismo e para a cultura local. O Ceprama representa a identidade do nosso estado. Qualificar esse espaço significa melhorar a experiência do visitante e fortalecer o artesanato como produto turístico”, avalia a secretária Socorro Araújo.

Núcleo Arte Educação e Programa do Artesanato Brasileiro

Em 2005, o Ceprama inaugurou a primeira sala do Núcleo Arte Educação (NAE), iniciativa voltada à formação de estudantes da rede pública estadual por meio da arte e da cultura. Atualmente, o projeto oferece cursos nas áreas de música e dança, ampliando as oportunidades de aprendizado e de contato com diferentes expressões artísticas.

No primeiro semestre deste ano, a sala do NAE passou por reforma e adaptação para funcionar como sede permanente das turmas de música e dança. As melhorias contemplaram salas, banheiros e área administrativa, com intervenções de acabamento, iluminação, acessibilidade, pintura e reorganização dos ambientes.

“O Ceprama já é um ambiente voltado à valorização da cultura maranhense e do artesanato. Com o Núcleo Arte Educação, ampliamos esse papel, transformando o espaço também em um centro de formação e inclusão por meio da arte e da educação”, afirmou Silvério Júnior, diretor do Ceprama.

Outro importante serviço que funciona no Centro é o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), iniciativa federal coordenada pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP). No Maranhão, o programa contribui para o fortalecimento do setor artesanal, incentivando a formalização dos profissionais, a valorização da produção local e a ampliação de oportunidades de comercialização.

O Ceprama também sedia ações de cadastramento de artesãos maranhenses no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab) e atua na emissão da Carteira Nacional do Artesão, documento que reconhece formalmente esses profissionais e possibilita o acesso a benefícios e oportunidades, conforme os critérios estabelecidos pelo programa, incluindo a participação em feiras e eventos do setor.

De acordo com Liliane Castro, coordenadora do PAB no Maranhão, o programa foi criado em 1991 com o objetivo de valorizar o artesão brasileiro, fortalecer o artesanato como uma atividade econômica e preservar a cultura e as tradições regionais. O programa atua com quatro vertentes: reconhecimento do artesão, capacitação profissional, divulgação e preservação da cultura regional.  

“Com o PAB conectado ao Ceprama podemos divulgar as políticas públicas do programa, levando qualificação, reconhecimento profissional e, principalmente, oportunidades de geração de renda. Essa parceria com o PAB fortalece o trabalho desenvolvido no Ceprama, que é um espaço de referência e de promoção do artesanato”, destaca Liliane.  

O Ceprama está localizado na Rua São Pantaleão, nº 1322, no bairro Madre Deus, em São Luís. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos domingos, das 9h às 13h. Mais informações podem ser consultadas no perfil oficial do Centro no Instagram: @ceprama_setur.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Inclusão com Dignidade: FAMEM defende olhar humanizado para catadores no fechamento de lixões no Maranhão


O encerramento dos lixões no Maranhão precisa caminhar lado a lado com políticas de inclusão social, geração de renda e novas oportunidades de trabalho para os catadores de materiais recicláveis. Essa foi a principal bandeira defendida durante a audiência pública realizada nesta quinta-feira (15), em São Luís.

O debate, que teve como tema “Encerramento de Lixões e a Inclusão com Dignidade dos Catadores”, ocorreu no auditório do Centro Cultural e Administrativo do Ministério Público do Maranhão (MPMA). Promovido pelo Fórum Estadual de Desenvolvimento Sustentável e das Catadoras e Catadores de Material Reciclável do Maranhão (FEDESCCMR-MA), o encontro reuniu representantes de 38 cooperativas, além de órgãos públicos e organizações ligadas às pautas ambiental e social.
O papel da FAMEM: unindo meio ambiente e social
A Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) foi representada por Geysa Azevedo, assessora do presidente da entidade, Roberto Costa. A participação da Federação focou em construir pontes com os municípios para que o cumprimento das normas ambientais de gestão de resíduos sólidos não ignore o sustento das famílias que dependem da reciclagem.
Para Geysa Azevedo, o desafio central é garantir que o fim dos lixões seja acompanhado de estratégias de inclusão produtiva e novas formas de inserção no mercado de trabalho.
"Estou aqui representando o presidente da FAMEM, Roberto Costa, ao lado de outros órgãos envolvidos no processo de encerramento dos lixões. O papel da Federação nessa agenda é compreender quais estratégias serão adotadas para acolher os catadores e demais trabalhadores que dependem dessa atividade. Todos os municípios terão que cumprir as normas de gestão de resíduos sólidos. Do ponto de vista ambiental, o encerramento dos lixões é necessário, mas, do ponto de vista social, é imprescindível olhar para o ser humano, reconhecendo os catadores como agentes ambientais e garantindo que tenham condições dignas de trabalho e sobrevivência", destacou a assessora.
A FAMEM se colocou à disposição para articular essas demandas junto às estratégias de governo. O objetivo é criar mecanismos de governança capazes de fortalecer a organização desses trabalhadores, ampliar a geração de renda e viabilizar a transição para novas atividades com o apoio direto dos governos municipais e estadual.
Protagonismo e a voz de quem está no campo
A audiência pública se destacou pela participação direta e ativa dos próprios trabalhadores na construção das soluções que afetam suas vidas.
Para o promotor de Justiça Cláudio Rebelo, titular da Segunda Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de São Luís e integrante do Fórum Estadual, o protagonismo dos catadores é fundamental para que as políticas públicas considerem as necessidades reais da categoria.
"Esse evento é maravilhoso, primeiro pelo protagonismo dos catadores. Eles decidiram tomar a frente da política que lhes interessa e têm uma contribuição importante para o estado. O encerramento dos lixões é ambientalmente necessário, mas precisamos oferecer alternativas, porque, apesar das condições indignas, é dali que muitos tiram o sustento", afirmou o promotor, ressaltando também o papel da FAMEM no apoio técnico aos gestores municipais.
A urgência de garantir a subsistência da categoria foi reforçada por Antônia da Silva Manço, presidente da Associação de Catadores e Catadoras de Açailândia (ASCAMAREA) e coordenadora do Fórum Estadual. Representando uma mobilização coletiva em defesa dos profissionais de todo o estado, ela fez um apelo por visibilidade.
"Com o fechamento dos lixões, precisamos de apoio para a nossa sobrevivência. Buscamos melhorias para todos os catadores e catadoras do Maranhão. Queremos ser vistos e não esquecidos, porque somos verdadeiros agentes ambientais e queremos o melhor para as futuras gerações", declarou Antônia.
Articulação institucional e alternativas de renda
A transição dos lixões para modelos sustentáveis exige uma rede integrada de apoio voltada para a economia solidária. Representando a Secretaria de Estado do Trabalho e da Economia Solidária (SETRES), o secretário adjunto Francisco Veiga apontou que as parcerias e as redes de cooperativas são fundamentais para que as ações alcancem a vasta dimensão territorial do Maranhão, respeitando as diferentes realidades locais.
O encontro abriu um espaço crucial para discutir como as instituições podem atuar de forma coordenada, conciliando a proteção ambiental com a inclusão socioprodutiva. O grande desafio atual é transformar a mudança na gestão dos resíduos sólidos em uma oportunidade real de valorização profissional, fortalecendo o trabalho organizado e construindo alternativas sustentáveis de renda.
Para a FAMEM, aproximar essas demandas das administrações municipais é um passo indispensável. O fim dos lixões representa uma etapa necessária para a proteção da natureza, mas as soluções duradouras só serão alcançadas se considerarem as pessoas, suas famílias e o direito a uma vida digna.

Mestres artesãos: quando o saber se transforma em legado

No Maranhão, quatro mestres artesãos são reconhecidos por preservar tradições e transmitir conhecimentos às comunidades. Inscrições para o reconhecimento de novos mestres e mestras seguem abertas até 18 de outubro.

Texto: Geíza Batistta 

O conhecimento não se transmite apenas nas salas de aula. Ele também ganha forma entre linhas, bilros, fibras e ferramentas, pelas mãos de quem transforma a experiência em aprendizado e compartilha saberes que atravessam gerações. No artesanato, essa missão é desempenhada pelos mestres artesãos e mestras artesãs, que contribuem para preservar a memória, a identidade cultural e as tradições de um povo.

No Maranhão, quatro mestres artesãos são reconhecidos por suas trajetórias e contribuições para a valorização da cultura: Douglas Lopes, Marilene Marques, Raimundo Coroinha e Tânia Lúcia Soares.

Em Raposa, a mestra artesã e rendeira Marilene Marques encontrou na renda de bilro muito mais do que um ofício: uma herança cultural que merece ser preservada e compartilhada. Aprendeu a técnica ainda jovem, por meio de uma tradição transmitida entre gerações, e fez desse conhecimento um compromisso com a continuidade da arte. Atualmente, ocupa a vice-presidência da Associação das Rendeiras de Raposa, conhecida como Bilro de Ouro.

Uma das iniciativas que expressam esse compromisso é o projeto Redes e Rendas, desenvolvido em 2023, em parceria com a associação e a Secretaria Municipal de Educação. A ação levou o ensino da renda de bilro à Escola Sarney Filho, em Raposa, incorporando a atividade ao cronograma escolar. A iniciativa permanece em andamento, com a participação de outras rendeiras, e contempla estudantes do 5º ao 7º ano do ensino fundamental, com cerca de 25 alunos por turma.

O projeto nasceu da preocupação com a continuidade de uma tradição presente no município desde a chegada de seus primeiros moradores, nas décadas de 1950 e 1960. Para Marilene, ensinar a renda de bilro às novas gerações é uma forma de manter viva a cultura local e assegurar a transmissão de um saber que, além de seu valor histórico e simbólico, representa uma importante fonte de renda para muitas famílias.

“Tudo o que eu fiz e faço é preservar e ensinar a cultura e o legado que foram passados para mim, através da minha mãe. Espero que essa arte nunca venha a acabar”, afirma Marilene.


Reconhecimento para quem compartilha conhecimento

As inscrições para o reconhecimento nacional de mestres artesãos e mestras artesãs estão abertas até 18 de outubro de 2026, conforme o Edital de Chamamento Público nº 07/2026, do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB).

Para a coordenadora estadual do programa, Liliane Castro, o título de mestre artesão vai além do domínio de uma técnica: representa o compromisso com a transmissão de conhecimentos e a continuidade das tradições culturais nas comunidades.

“Ser mestre artesão vai além de dominar uma técnica. É preciso ter consciência da responsabilidade de transmitir esse conhecimento, contribuir para a formação de novos artesãos e manter viva a tradição nas comunidades. Esse legado precisa continuar passando de geração em geração”, ressalta Liliane Castro.

O reconhecimento possibilita a emissão da Carteira Nacional de Mestre Artesão ou Mestra Artesã, contribuindo para a valorização profissional e ampliando as possibilidades de participação em feiras, capacitações e outras ações de incentivo ao artesanato.

Rico em saberes, técnicas e expressões culturais, o Maranhão reúne trajetórias que merecem ser reconhecidas e valorizadas. Artesãos e artesãs que atendam aos critérios estabelecidos no edital são convidados a se inscrever e apresentar suas histórias, experiências e contribuições para a preservação do patrimônio cultural brasileiro.

As inscrições são gratuitas e realizadas on-line. Para obter orientações sobre o processo, os interessados podem procurar a coordenação estadual do PAB, sediada no Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), em São Luís.

SERVIÇO:

O que: Edital de Chamamento Público nº 07/2026 — Reconhecimento de Mestres Artesãos e Mestras Artesãs

Prazo para inscrição: até 18 de outubro de 2026.

Inscrições: gratuitas e realizadas on-line.

Edital, critérios e documentação: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/artesanato/edital-de-chamamento-publico-n-o-07-2026-para-reconhecimento-e-registro-de-mestre-artesao-e-mestra-artesa 

Dúvidas e orientações: artesaosmaranhenses@gmail.com


domingo, 27 de setembro de 2026

Turismo que movimenta e deixa um pedaço do Maranhão na memória

Hoje, 27 de setembro, é dia de celebrar o turismo, os profissionais que fazem essa atividade acontecer e a riqueza cultural que transforma cada viagem em experiência.

Texto: Geíza Batistta

O mundo celebra o Dia Mundial do Turismo e o Brasil também homenageia os turismólogos e profissionais do setor. No Maranhão, a data é uma oportunidade para reconhecer a força de um segmento que movimenta a economia e aproxima visitantes das belezas, histórias e tradições do estado.

Os números ajudam a dimensionar esse movimento. De janeiro a maio de 2026, São Luís recebeu 359.422 desembarques no aeroporto, crescimento de 11,94% em relação ao mesmo período de 2025. Nos Lençóis Maranhenses, Barreirinhas e Santo Amaro receberam 50.906 visitantes no primeiro trimestre deste ano.

Mas o turismo maranhense não se resume às paisagens.

Está também na gastronomia, na música, nas manifestações populares, no patrimônio histórico e no artesanato, que permite ao visitante levar consigo uma pequena parte da identidade do lugar que conheceu.

Um pedaço do Maranhão que cabe na mala

Cerâmica, renda de bilro, bordados, fibras, palha, madeira, sementes, couro, biojoias, crochê e tecelagem revelam a diversidade do fazer artesanal maranhense.

São peças que carregam criatividade, técnicas e saberes transmitidos entre gerações. Quando o turista escolhe um produto feito por um artesão local, também contribui para movimentar a economia criativa e manter esses conhecimentos vivos.

E para conhecer essa produção de perto, fica um convite especial: visite ou redescubra o CEPRAMA, no bairro Madre Deus, em São Luís.

Revitalizado e de cara nova, o espaço histórico é uma importante vitrine do artesanato e da cultura maranhense. Para quem chega de fora, é uma oportunidade de conhecer diferentes formas do nosso fazer artesanal. Para quem vive aqui, é um convite para voltar e enxergar novamente a riqueza que muitas vezes está tão perto.

Neste Dia Mundial do Turismo, meu agradecimento a turismólogos, guias, artesãos e artesãs, trabalhadores, empreendedores e todos que ajudam a receber e encantar quem visita o Maranhão.

Que possamos continuar construindo um turismo que valorize pessoas, territórios, cultura e sustentabilidade.

Turistas e maranhenses, o convite está feito: venham conhecer, prestigiar e redescobrir o CEPRAMA. Afinal, o Maranhão também cabe em uma peça artesanal.

Viva o turismo! Viva o artesanato! Viva o Maranhão!


Serviço:

CEPRAMA
Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão 
Rua São Pantaleão, nº 1322 – Madre Deus/Lira, São Luís (MA)
Funcionamento: segunda a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 9h às 12h30. 



quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ceprama recebe campeonato de bandas e fanfarras neste sábado (26)

Música, educação, cultura e artesanato se encontram em um dos espaços culturais mais tradicionais de São Luís.

Texto: Geíza Batistta – Ascom Ceprama/Setur-MA

 O Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), localizado no bairro Madre Deus, em São Luís, recebe neste sábado (26), a partir das 16h, o XXIV Campeonato Maranhense de Bandas e Fanfarras Estudantis e o XIX Campeonato Norte-Nordeste. Promovida pela Federação Maranhense de Bandas e Fanfarras (FEMBAF), a programação reúne grupos estudantis em uma celebração que valoriza a música, a disciplina, o intercâmbio cultural e a formação de jovens.

O campeonato passa a integrar a programação de eventos realizados no espaço, tradicionalmente reconhecido como um dos principais endereços do artesanato maranhense. O Ceprama também vem ampliando sua atuação como espaço de convivência e valorização de diferentes linguagens artísticas e culturais.

Atualmente, o local abriga atividades do Núcleo Arte Educação (NAE), da Secretaria de Estado da Educação, que oferece aulas de música, dança e teatro. A iniciativa amplia as possibilidades de interação entre artesãos, estudantes, músicos, dançarinos e outros fazedores de cultura.

Instalado em um prédio histórico de aproximadamente 3 mil metros quadrados, que abrigou a antiga Companhia de Fiação e Tecelagem de Cânhamo, o Ceprama está localizado na Madre Deus, bairro que tem a cultura como parte fundamental de sua identidade e de sua tradição.

É nesse cenário que o artesanato maranhense se encontra com a música, a dança e outras expressões artísticas, fortalecendo o Ceprama como espaço de valorização da cultura e de promoção de encontros entre diferentes manifestações.

“Nosso espaço mantém sua vocação de valorização do artesanato, mas também está aberto ao encontro com diferentes formas de arte e cultura”, afirmou o gestor do Ceprama, Silvério Costa.

SERVIÇO

O que: XXIV Campeonato Maranhense de Bandas e Fanfarras Estudantis e XIX Campeonato Norte-Nordeste

Quando: 26 de setembro, a partir das 16h

Onde: CEPRAMA – Rua São Pantaleão, n 1332 - Madre Deus, São Luís (MA)

Realização: Federação Maranhense de Bandas e Fanfarras (FEMBAF)

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Workshop em São Luís ensina receitas saudáveis e práticas para o dia a dia

Encontro com o nutricionista Cadu Ferreira apresenta 12 preparações entre saladas, molhos, antepastos e caldos, incentivando escolhas alimentares mais equilibradas e o aproveitamento de ingredientes frescos.

São Luís recebe, no dia 26 de setembro, o workshop Sopas, Saladas & Molhos, uma proposta que aproxima a nutrição da gastronomia e apresenta alternativas para quem deseja diversificar a alimentação sem abrir mão de sabor e praticidade. A atividade será conduzida pelo nutricionista clínico funcional Cadu Ferreira, com apoio da Eat Fit e do Verde Urbano.

Realizado das 8h às 10h30, no espaço do Verde Urbano, no bairro do Calhau, o encontro terá uma programação prática, com o preparo de 12 receitas distribuídas entre saladas, molhos e antepastos e caldos. A iniciativa também abre espaço para refletir sobre a importância da educação alimentar e do uso de ingredientes frescos na construção de hábitos mais saudáveis.

Entre as preparações estão salada caesar, salada mediterrânea, salpicão fresco ralado e salada de acelga com salmão graviolax. O público também aprenderá a preparar pesto, homus, muhammara, chutney de manga e pasta de alho. A programação inclui ainda caldo de feijão-fradinho proteico vegano, caldo verde de vinagreira e gaspacho, sopa fria de tomate.

Além da experiência prática, os participantes receberão material didático com as receitas, terão a oportunidade de degustar as preparações e receberão certificado ao final da atividade.

Para Cadu Ferreira, a cozinha pode ser uma importante ferramenta de educação alimentar, aproximando o conhecimento nutricional das escolhas feitas diariamente. A proposta do workshop é mostrar que a alimentação equilibrada pode ser construída com criatividade, variedade e atenção à qualidade dos ingredientes.

As vagas são limitadas, e as inscrições devem ser realizadas diretamente com a organização.


Serviço

Evento: Workshop Sopas, Saladas & Molhos

Data: 26 de setembro de 2026 (sábado)

Horário: Das 8h às 10h30

Local: Verde Urbano — Empório do Campo, Calhau, São Luís (MA)

Ministrante: Cadu Ferreira, nutricionista clínico funcional

Investimento: R$ 70 (individual) ou R$ 55 por pessoa (dupla)

Inclui: Material didático, degustação e certificado.

Inscrições: Pelo direct do Verde Urbano ou da Eat Fit.


Sobre o ministrante

Cadu Ferreira é nutricionista clínico, professor universitário e pós-graduado em nutrição funcional e fitoterapia. Atualmente, cursa mestrado em Educação para a Saúde. Sua atuação profissional aproxima a gastronomia da nutrição, utilizando a cozinha como instrumento de educação alimentar e valorizando o papel dos alimentos no cuidado com a saúde.

O nutricionista também desenvolve cursos e palestras sobre alimentação saudável e sustentável, com atenção ao uso de ingredientes frescos e orgânicos.

Informações para a imprensa: Ana Paula Coelho — Jornalista e Assessora de Imprensa - Telefone: (71) 9 8831-5019 - E-mail: ana.coelho.jornal@gmail.com

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Do bilro à cerâmica: Maranhão entre os 100 melhores artesanatos do Brasil

Renda de bilro da Raposa e cerâmica vitrificada de São Luís são reconhecidas na 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato.

O artesanato maranhense tem dessas coisas que me fazem acreditar, cada vez mais, que cultura também se conta pelas mãos de quem cria. Nesta edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, duas dessas histórias chegaram ao reconhecimento nacional: a Renda de Bilro da Raposa, da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, e a Cerâmica Vitrificada de São Luís, do artesão José Carlos Martins.

São trabalhos diferentes, mas que carregam algo em comum: identidade maranhense, tradição e a capacidade de se reinventar sem perder a essência.

A renda que atravessa gerações

Na Raposa, Darly Menezes conhece bem essa história. Presidente da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, ela cresceu vendo a avó e a mãe produzirem renda de bilro. Aprendeu a técnica, desenvolveu suas próprias peças e passou a compartilhar esse conhecimento com outras mulheres.

Acompanhar a trajetória de Darly também faz parte da minha caminhada como jornalista que há anos divulga o turismo, a cultura e o artesanato do Maranhão. Já viajamos juntas para feiras e eventos de artesanato, e ela se tornou uma fonte frequente para as minhas matérias.

É bonito perceber, de perto, como aquela renda feita com paciência e delicadeza também movimenta histórias, encontros e oportunidades.


O trabalho das rendeiras vem ganhando novos formatos e mercados, com apoio em áreas como precificação, gestão, desenvolvimento de produtos e divulgação.

Para Darly, modernizar não significa deixar a tradição para trás.

“A gente continua fazendo as peças tradicionais, mas também cria peças novas, porque precisa alcançar novos mercados.”

E talvez esteja justamente aí uma das forças do artesanato: preservar o passado sem deixar de conversar com o presente.


São Luís moldada em barro


Na capital maranhense, o reconhecimento foi para José Carlos Martins, que encontrou na cerâmica um caminho para recomeçar profissionalmente.

São mais de 35 anos trabalhando com o material e construindo um fazer que também tem o Maranhão como inspiração. Cazumbás, fofões, azulejos e referências ao bumba meu boi aparecem em suas peças.

O resultado é uma cerâmica que pode chegar à casa de um morador ou seguir na mala de um turista como lembrança de São Luís.

E esse é um aspecto que sempre me chama atenção quando escrevo sobre artesanato: a peça artesanal não é apenas um produto. Ela carrega um pedaço do lugar de onde veio.

Um reconhecimento que vai além do prêmio

Nesta edição, 51 artesãos e grupos do Maranhão participaram da seleção nacional. Apenas dois chegaram ao TOP 100: a renda de bilro da Raposa e a cerâmica vitrificada de São Luís.

O Maranhão já teve outros representantes em edições anteriores, mostrando que essa presença não é novidade. Mas cada nova conquista ajuda a ampliar a visibilidade de quem mantém técnicas, saberes e referências culturais vivos.

Para quem trabalha com turismo e cultura, esse reconhecimento também tem outro significado. Quando um artesão ganha espaço, ganha o território, ganha a cultura e ganha o visitante que passa a enxergar além da paisagem.

Da Raposa a São Luís, o Maranhão mostra mais uma vez que sua identidade também pode ser encontrada no bilro, no barro, no fogo, nas cores e nas mãos de quem transforma matéria-prima em memória.E é justamente por histórias assim que continuo acreditando no jornalismo que aproxima pessoas, cultura e território.

Texto e fotos: Geíza Batistta - Jornalista

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

São Luís em azulejos, histórias para levar na bagagem


No aniversário da capital maranhense, artesãos transformam casarões, igrejas e símbolos da cidade em peças que atravessam fronteiras

Texto: Geíza Batistta

São Luís é uma cidade que se revela nos detalhes: nos casarões, nas igrejas, nas fachadas coloridas e, sobretudo, nos azulejos que ajudam a contar a história da capital maranhense. No artesanato, essas referências ganham novas formas e passam a acompanhar moradores e visitantes para muito além das ruas da cidade.

No dia 8 de setembro, São Luís completa 414 anos. Fundada em 1612, a capital maranhense teve seu conjunto histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1974 e, em 1997, recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Mundial. O conjunto reconhecido internacionalmente se estende por cerca de 270 hectares e reúne aproximadamente 5,5 mil edificações, entre sobrados, solares, igrejas e outros imóveis que compõem uma das mais expressivas paisagens urbanas históricas do Brasil.


É nesse cenário que o artista e artesão Ribamar Carvalho encontra inspiração. Pratos decorativos para parede, porta-joias, bandejas, porta-chaves, porta-toalhas, xícaras e outras peças recebem desenhos de casarões, igrejas e elementos que remetem à capital maranhense. Seu trabalho já passou por exposições e feiras e suas criações chegaram a diferentes lugares do Brasil e também ao exterior.

Mas a relação de Ribamar com a chamada “arte do fogo” começou muito antes das peças que hoje levam São Luís para outros lugares. Na década de 1980, ele iniciou sua trajetória artística com a pintura mediúnica, experiência que resultou, inclusive, em exposições beneficentes. Mais tarde, por influência do irmão, que trabalhava com a artista Vera Vasconcelos, aproximou-se da pintura em azulejos.

No início, Ribamar utilizava a serigrafia para reproduzir os contornos dos desenhos nos azulejos inspirados nos casarões. Com a convivência e os ensinamentos de Vera, aprofundou-se no “canetado”, técnica utilizada para traçar os contornos sobre a peça antes da pintura. Posteriormente, passou a trabalhar também com porcelana.

O aprendizado ganhou autonomia até que Ribamar começou a criar suas próprias peças. Uma delas carrega um significado especial: seu primeiro trabalho, um prato produzido para presentear a mãe. A partir dali, azulejos e porcelanas passaram a incorporar, cada vez mais, referências da arquitetura, da cultura e das paisagens maranhenses.

Igrejas antigas, fachadas, oratórios e outros elementos de São Luís passaram a ocupar suas criações, apresentadas em exposições individuais e coletivas. Ao longo dos anos, Ribamar também participou de feiras e eventos, ampliando o alcance de uma produção que transforma referências da cidade em objetos capazes de atravessar fronteiras e chegar às casas de quem deseja guardar consigo um pouco do Maranhão.

“Eu foquei em tudo aquilo que nós temos de mais antigo, de mais belo, de mais profundo, de mais significativo para todos nós”, afirma Ribamar.


Do desenho à queima

A expressão “arte do fogo” não é por acaso. Depois de preparada e modelada, a peça passa por diferentes etapas, como secagem, acabamento, desenho e pintura. Dependendo da técnica empregada, recebe esmaltação e segue para o forno, onde a queima em alta temperatura garante resistência e consolida o acabamento.

É um processo que exige precisão, controle e tempo. A temperatura varia de acordo com o tipo de massa, a peça e o acabamento desejado e pode ultrapassar 1.000 °C. Entre preparação, secagem, pintura, queima e finalização, uma única peça pode levar dias até estar completamente pronta.

Para Ribamar, porém, o resultado vai muito além da técnica. Ao reproduzir uma fachada, uma igreja ou outro elemento característico da cidade, ele transforma referências reconhecíveis de São Luís em pequenas representações da capital maranhense.

“Hoje, minhas peças carregam a marca e o registro da nossa identidade, daquilo que temos de mais belo do nosso patrimônio mundial”, resume.

Essa conexão entre artesanato e turismo permite que a experiência de conhecer São Luís continue mesmo depois da viagem. Um prato decorativo, uma xícara ou um porta-joias inspirado nos azulejos da cidade pode se transformar em uma lembrança afetiva e levar para longe uma referência visual e cultural de São Luís.

A cerâmica e a azulejaria fazem parte de um universo ainda mais amplo de saberes presentes no artesanato maranhense. Fibras naturais, madeira, bordados, rendas, biojoias, trançados e peças inspiradas nas manifestações da cultura popular também revelam a diversidade e a riqueza de quem produz no estado.

No aniversário de São Luís, celebrar esses artistas é reconhecer que cultura e patrimônio também permanecem vivos quando encontram novas formas de expressão. Os azulejos continuam nas fachadas, contando histórias pelas ruas da cidade, enquanto suas referências ganham novos espaços nas oficinas, feiras, exposições e casas de quem escolhe levar um pouco de São Luís na bagagem.

Para quem deseja conhecer e adquirir essas criações, o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (CEPRAMA), na Madre Deus, reúne trabalhos de artesãos maranhenses. Entre cerâmicas, azulejos, fibras, madeira, bordados e outras peças, o visitante pode encontrar uma lembrança de São Luís ou escolher um presente que carregue consigo um pouco da identidade, da cultura e da memória do Maranhão.




sábado, 5 de setembro de 2026

Dia Mundial do Jornalista de Turismo: contar histórias também é preservar

Por Geíza Batistta

Neste 5 de setembro, celebramos o Dia Mundial do Jornalista de Turismo, uma data instituída em 2018, na região das Cataratas do Iguaçu, durante um encontro internacional que reuniu jornalistas e profissionais do setor de diferentes países.

Para mim, a data é também um momento de refletir sobre uma profissão que me permite unir jornalismo, turismo, cultura e comunicação. Contar histórias sobre destinos é muito mais do que apresentar paisagens ou sugerir roteiros. É olhar para as pessoas, os saberes, a identidade, a economia e os desafios de cada território.

Como jornalista e assessora de comunicação, também atuo nos bastidores dessa construção. Busco identificar boas histórias, produzir matérias e entrevistas, sugerir pautas aos veículos de comunicação e dar visibilidade a iniciativas e profissionais. Também acompanho e oriento artesãos e outros agentes do turismo na relação com a imprensa, ajudando a transformar seus trabalhos em notícia.

No meu trabalho na Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão (Setur-MA), no CEPRAMA, essa experiência se aproxima especialmente da divulgação e valorização do artesanato maranhense. São histórias de artesãos, artistas, comunidades e empreendedores que ajudam a movimentar o turismo e preservar nossa identidade cultural.

Acredito que o jornalismo de turismo precisa ir além do cartão-postal. Uma reportagem pode revelar um destino, mas também pode mostrar quem vive nele, valorizar a produção local, discutir preservação ambiental e cultural e estimular um turismo mais consciente.

Em tempos de excesso de informação, essa responsabilidade se torna ainda maior. O jornalista precisa investigar, ouvir, contextualizar e oferecer ao público informação confiável, diferenciando conteúdo jornalístico de publicidade e promoção.

Jornalismo que fortalece o turismo maranhense

Essa caminhada também me levou, em 2025, a integrar a Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet). Em agosto deste ano, participei da Assembleia Geral da Abrajet-MA, que elegeu por unanimidade a nova diretoria para o biênio 2026-2028.

A nova gestão é formada por Vanessa Serra, presidente; Léa Zacheu, vice-presidente e diretora de Relações Institucionais; Henrique Bóis, secretário-geral; Geíza Batistta, diretora de Eventos; e Wellington Rebelo, diretor Administrativo-Financeiro. O Conselho Fiscal tem Reginaldo Cazumba, da Revista Cazumba, como titular, e Gutemberg Bogéa, do Jornal Pequeno e do suplemento JP Turismo, e Karine Baldez, como suplentes. O Conselho de Ética é formado por Juliana Vieira, Patrícia Cunha e Wellington Rebelo. Patrícia também atua na Secretaria de Estado da Cultura (Secma) e no jornal O Imparcial, enquanto Léa mantém sua atuação na revista Maranhão Turismo.

São profissionais que, em diferentes frentes, dedicam-se à comunicação e à divulgação do turismo, da cultura e das potencialidades do Maranhão. Fazer parte dessa nova gestão, como diretora de Eventos, representa para mim uma oportunidade de contribuir ainda mais para o fortalecimento do jornalismo especializado no estado.

No fim, acredito que contar histórias também é uma forma de preservar. Quando damos visibilidade a um patrimônio, a uma cultura, a um artesão ou a uma comunidade, ajudamos a mostrar o valor daquilo que torna cada destino único.

Neste Dia Mundial do Jornalista de Turismo, celebro a profissão que me permite conhecer lugares, mas, principalmente, conhecer pessoas.

Porque, para mim, turismo é gente, é cultura, é território. E jornalismo é a ponte que ajuda essas histórias a atravessarem fronteiras.

Neste Dia Mundial do Jornalista de Turismo, parabenizo todos os colegas que, assim como eu, têm a missão de contar histórias, revelar destinos, valorizar culturas e dar visibilidade a quem faz o turismo acontecer.

Que sigamos fazendo jornalismo com ética, sensibilidade e compromisso com um turismo mais consciente e sustentável.


Feliz Dia Mundial do Jornalista de Turismo a todos nós!


Geíza Batistta

Jornalista | Assessora de Comunicação | Jornalismo Sustentável