A carta aberta divulgada pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e por 31 Sindicatos de Jornalistas Profissionais do Brasil traz uma reflexão necessária e urgente sobre o futuro da nossa profissão. Mais do que um posicionamento institucional, o documento reforça uma pauta histórica da categoria: a valorização dos jornalistas e a defesa de condições dignas de trabalho.
Como jornalista que atua nas áreas de cultura, turismo, sustentabilidade e economia criativa, recebi essa carta com atenção e identificação. Ao longo da minha trajetória, acompanhando o trabalho de artesãos, mestres da cultura popular, empreendedores do turismo e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável, aprendi que o jornalismo tem um papel fundamental na valorização das pessoas, dos territórios e das histórias que precisam ser contadas.
Mas para que possamos cumprir essa missão com responsabilidade, independência e qualidade, é necessário que também sejamos valorizados.
A carta da FENAJ reconhece a importância dos veículos independentes, alternativos e progressistas para a democratização da informação e para a ampliação da pluralidade de vozes. Concordo plenamente com essa visão. O fortalecimento de diferentes meios de comunicação é essencial para a democracia. No entanto, também concordo que nenhum projeto editorial pode ser sustentado à custa da precarização do trabalho jornalístico.
A pejotização irregular, a sobrecarga de trabalho, a falta de garantias trabalhistas e outras práticas que fragilizam a categoria não podem ser naturalizadas. Defender direitos na esfera pública e negar direitos dentro das redações é uma contradição que precisa ser enfrentada.
Não existe jornalismo sustentável sem profissionais valorizados. Quando jornalistas trabalham com segurança, remuneração justa, direitos garantidos e reconhecimento profissional, toda a sociedade ganha. A informação produzida torna-se mais qualificada, mais profunda e mais comprometida com o interesse público.
Nas áreas que acompanho diariamente, vejo o quanto o jornalismo é capaz de transformar realidades, preservar memórias, fortalecer identidades culturais e impulsionar a economia criativa. Mas esse trabalho só é possível porque existem profissionais dedicados, que muitas vezes enfrentam desafios cada vez maiores para exercer a profissão.
Por isso, considero a carta da FENAJ um chamado importante à reflexão e à coerência. Defender o jornalismo independente é fundamental. Defender os jornalistas que tornam esse jornalismo possível é indispensável.
Não haverá jornalismo forte, democrático e sustentável sem profissionais respeitados, protegidos e valorizados. Essa não é apenas uma luta da categoria. É uma defesa da própria qualidade da informação e da democracia.
Texto: Geíza Batistta - Jornalista Cultural | Turismo, Sustentabilidade e Economia Criativa.

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