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domingo, 10 de maio de 2026

Entre bordados e afeto: mães artesãs mantêm viva a cultura do Bumba-meu-boi no Maranhão

Mulheres maranhenses transformam o artesanato em renda, acolhimento e preservação cultural através do trabalho manual.


No Maranhão, cada bordado carrega mais do que brilho e tradição. Entre miçangas, tecidos e linhas coloridas, mães artesãs ajudam a sustentar suas famílias enquanto preservam uma das maiores riquezas culturais do estado: o Bumba-meu-boi.

No Ceprama, conhecido como a casa do artesanato maranhense, histórias de dedicação, resistência e amor se cruzam diariamente através do trabalho manual desenvolvido por mulheres que fazem da arte uma extensão da própria vida.

Uma delas é Andrelina Neta, artesã e permissionária do espaço, que encontrou no bordado uma forma de contribuir para a renda familiar e manter viva a tradição cultural maranhense.

Mãe de duas filhas, Andrelina vem de uma família ligada ao artesanato e aprendeu o ofício com o esposo, que também é artesão e bordadeiro. Com o passar dos anos, aperfeiçoou a técnica e hoje produz cocares, chapéus e peças bordadas inspiradas no universo do Bumba-meu-boi.

Entre o trabalho e a maternidade, ela divide a rotina com a família e faz do artesanato uma construção coletiva dentro de casa “Aprendi a bordar com meu esposo e fui me apaixonando pelo artesanato. Hoje, isso faz parte da nossa vida. O artesanato ajuda muito no sustento da nossa família e é algo que tenho muito orgulho de fazer”, afirma Andrelina.

Segundo ela, cada peça produzida carrega dedicação, paciência e identidade cultural. “Quando estou bordando, sinto que estou colocando amor em cada detalhe. É um trabalho cansativo, mas muito gratificante”, destaca.


Outra trajetória marcada pela força feminina é a das irmãs Vanda Bandeira e Daiane Bandeira, artesãs que trabalham com a produção de chapéus de Bumba-meu-boi em São Luís.

Vindas de Pindaré-Mirim, elas transformaram o artesanato em fonte de renda e também em uma rede de apoio para outras mulheres artesãs. O trabalho desenvolvido no ateliê reúne produção cultural, empreendedorismo feminino e fortalecimento comunitário.

As duas também compartilham outra realidade em comum: são mães atípicas e conciliam os cuidados com os filhos autistas com a intensa rotina de produção artesanal. Entre terapias, atendimentos e a dedicação diária à família, elas seguem mantendo viva a tradição do artesanato maranhense.

“O desafio é grande, mas a gente aprende a seguir sem desistir. O artesanato acabou se tornando uma forma de cuidar da família e também de continuar fazendo aquilo que a gente ama”, destaca Vanda.

Além de preservar tradições culturais, o trabalho das artesãs fortalece o protagonismo feminino e mantém viva a identidade cultural maranhense através do artesanato ligado ao Bumba-meu-boi, uma das manifestações mais simbólicas do estado.

Durante o período junino, cocares, chapéus bordados e peças inspiradas na cultura popular ganham ainda mais visibilidade em arraiais, feiras e espaços turísticos, levando a arte maranhense para diferentes regiões do Brasil.

Enquanto produzia esta reportagem, também revisitei parte da minha própria trajetória como mãe e jornalista. Quando minha filha Yasmin nasceu, decidi me dedicar integralmente à maternidade durante os primeiros anos da vida dela. Antes mesmo da gravidez, havia juntado dinheiro para comprar um carro, mas, quando descobri que seria mãe, usei esse recurso para garantir mais tranquilidade naquele período em que escolhi estar presente em cada fase da infância dela.


Voltar ao mercado de trabalho depois de quase quatro anos afastada não foi fácil. Muitas portas se fecharam. Em vários momentos, percebi a dificuldade que ainda existe para mães que tentam retomar suas carreiras profissionais, especialmente no jornalismo, uma área que exige disponibilidade intensa e rotina dinâmica.

Yasmim estava começando a vida escolar quando decidi retornar ao trabalho. Foi um período desafiador, marcado por inseguranças, recomeços e pela necessidade de reconstruir minha trajetória profissional. Mas também foi um tempo de resistência e amadurecimento.

Graças a Deus, uma amiga da faculdade, que hoje é uma mãe maravilhosa e super competente, Amanda Dutra, que já conhecia meu trabalho acreditou em mim e me convidou para integrar a equipe da Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão. Foi ali que reencontrei meu espaço profissional e sigo até hoje, atualmente como Assessora de Comunicação do Ceprama.

Talvez seja por isso que histórias como as de Andrelina, Vanda e Daiane me emocionem tanto. Porque vejo nelas mulheres que seguem lutando diariamente para equilibrar maternidade, trabalho, sonhos e cuidado, sem deixar de acreditar na própria força.

Mais do que produzir artesanato, essas mulheres ajudam a manter viva a memória cultural do Maranhão enquanto constroem, diariamente, histórias de afeto, resistência e esperança através das próprias mãos.


Texto: Geíza Batistta

Feliz dia das mães! 

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