Vindas de Pindaré-Mirim, as irmãs Vanda e Dayana Bandeira estruturaram um negócio que une cultura popular, empreendedorismo feminino e geração de renda para dezenas de mulheres em São Luís.

No ateliê em São Luís , cerca de 25 a 30 mulheres participam da produção de chapeus inspirados no bumba meu boi, transformando o artesnato em fonte de renda, autonomia e inclusão produtiva.
Texto e fotos: Geíza Batistta – DRT 838/MA
Irmãs, mães atípicas e artesãs, Vanda e Dayana Bandeira transformaram o bordado em sustento de famílias e reafirmação da força do artesanato maranhense dentro e fora do estado.
O som da conversa baixa se mistura ao ritmo das mãos. Entre miçangas, linhas e cores que remetem ao São João, o trabalho segue contínuo. No ateliê das irmãs Vanda e Dayana Bandeira, em São Luís, o que se constrói vai além dos chapéus de bumba meu boi.
“A gente não faz só um chapéu. A gente faz uma peça que leva um pedaço do Maranhão junto”, diz Vanda, enquanto organiza materiais sobre a mesa.
Vindas de Pindaré-Mirim, as duas começaram de forma simples, quando o artesanato ainda era complemento de renda. A virada veio anos depois, em um arraial.
“A gente viu um turista encantado, querendo levar o chapéu e não podia. Aquilo mexeu com a gente”, lembra Dayana. “Foi ali que a gente entendeu que podia transformar isso em trabalho.”
Quando o fazer vira sustento
Hoje, o ateliê funciona ao longo de todo o ano. O ritmo aumenta no período junino, mas os pedidos seguem em outras épocas, inclusive de outros estados e até do exterior.
Os chapéus, inspirados no bumba meu boi, variam entre R$ 300 e R$ 1.800, de acordo com o nível de detalhamento.
Em períodos fora da alta temporada, a produção gira em torno de 60 a 80 chapéus por mês. Já no São João, esse volume mais que dobra, podendo ultrapassar 150 peças mensais. “Tem época que a gente não dá conta sozinha. Precisa chamar mais gente pra ajudar, porque a procura cresce muito”, explica Vanda.
No período junino, o ateliê chega a comercializar cerca de 200 chapéus, entre vendas em arraiais, encomendas e fornecimento para grupos culturais e turistas.
Uma rede que gera renda
Mais do que produção, o ateliê estrutura uma rede de trabalho. Entre 25 e 30 mulheres participam direta ou indiretamente do processo, desde o bordado até a finalização das peças e apoio nas vendas.
A movimentação acompanha o ritmo da produção e se intensifica no período junino, quando a demanda cresce e amplia as oportunidades de ganho para as artesãs envolvidas.
“Tem muita gente que depende disso aqui. Não é só pra gente, é pra várias famílias”, afirma Vanda.
“Quando chega o São João, a gente chama mais artesãs. É quando todo mundo consegue trabalhar mais e aumentar a renda”, completa Dayana.
Esse movimento acompanha a realidade dos pequenos negócios no país. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), indicam que, em 2023, os pequenos negócios foram responsáveis por aproximadamente 70% dos novos empregos formais gerados no Brasil, além de representarem cerca de 99% das empresas do país.
Trabalho que se ajusta à vida
A rotina das irmãs também é atravessada pela maternidade atípica. Entre terapias e cuidados com os filhos, o tempo exige reorganização constante. “O desafio é não parar. A gente vai se revezando”, diz Vanda.
Esse modelo acabou influenciando o funcionamento do ateliê, que se tornou um espaço mais flexível para outras mulheres. “Aqui a gente entende o tempo da outra. Nem todo lugar entende”, completa Dayana.
Cultura que movimenta economia
No Maranhão, o artesanato acompanha o ritmo do turismo cultural, especialmente durante o São João. “O São João é o nosso período mais forte. É quando o trabalho ganha mais visibilidade”, diz Dayana.
Levantamento do Observatório do Turismo do Maranhão aponta que o período junino está entre os principais momentos de movimentação turística do estado, com impacto direto na economia criativa e nas atividades ligadas à cultura popular.
O mesmo levantamento, com base no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB), mostra que 88,1% dos artesãos cadastrados no Maranhão são mulheres, evidenciando o protagonismo feminino no setor.
“Quando o turista leva um chapéu, ele leva mais do que uma lembrança. Ele leva um pouco da nossa cultura”, reforça Vanda.
Entre o agora e o que ainda vem
Com planos de expansão, as irmãs pretendem ampliar a produção e alcançar novos mercados. “A gente quer crescer, mas sem perder a essência”, diz Dayana.Entre fios, cores e histórias, o ateliê segue como espaço de trabalho, renda e permanência cultural, conectando tradição, economia e identidade maranhense.
Serviço
Para conhecer o trabalho de perto ou encomendar peças, o público pode visitar o ateliê Artiê, localizado no bairro São Francisco, em São Luís, ou acompanhar as produções e novidades pelo Instagram oficial @artieatelie, onde também são realizados atendimentos e pedidos personalizados.
Matéria publicada no Jornal Pequeno no caderno do JP Turismo - Edição 17/04/2026
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