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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

São Luís em azulejos, histórias para levar na bagagem


No aniversário da capital maranhense, artesãos transformam casarões, igrejas e símbolos da cidade em peças que atravessam fronteiras

Texto: Geíza Batistta

São Luís é uma cidade que se revela nos detalhes: nos casarões, nas igrejas, nas fachadas coloridas e, sobretudo, nos azulejos que ajudam a contar a história da capital maranhense. No artesanato, essas referências ganham novas formas e passam a acompanhar moradores e visitantes para muito além das ruas da cidade.

No dia 8 de setembro, São Luís completa 414 anos. Fundada em 1612, a capital maranhense teve seu conjunto histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1974 e, em 1997, recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Mundial. O conjunto reconhecido internacionalmente se estende por cerca de 270 hectares e reúne aproximadamente 5,5 mil edificações, entre sobrados, solares, igrejas e outros imóveis que compõem uma das mais expressivas paisagens urbanas históricas do Brasil.


É nesse cenário que o artista e artesão Ribamar Carvalho encontra inspiração. Pratos decorativos para parede, porta-joias, bandejas, porta-chaves, porta-toalhas, xícaras e outras peças recebem desenhos de casarões, igrejas e elementos que remetem à capital maranhense. Seu trabalho já passou por exposições e feiras e suas criações chegaram a diferentes lugares do Brasil e também ao exterior.

Mas a relação de Ribamar com a chamada “arte do fogo” começou muito antes das peças que hoje levam São Luís para outros lugares. Na década de 1980, ele iniciou sua trajetória artística com a pintura mediúnica, experiência que resultou, inclusive, em exposições beneficentes. Mais tarde, por influência do irmão, que trabalhava com a artista Vera Vasconcelos, aproximou-se da pintura em azulejos.

No início, Ribamar utilizava a serigrafia para reproduzir os contornos dos desenhos nos azulejos inspirados nos casarões. Com a convivência e os ensinamentos de Vera, aprofundou-se no “canetado”, técnica utilizada para traçar os contornos sobre a peça antes da pintura. Posteriormente, passou a trabalhar também com porcelana.

O aprendizado ganhou autonomia até que Ribamar começou a criar suas próprias peças. Uma delas carrega um significado especial: seu primeiro trabalho, um prato produzido para presentear a mãe. A partir dali, azulejos e porcelanas passaram a incorporar, cada vez mais, referências da arquitetura, da cultura e das paisagens maranhenses.

Igrejas antigas, fachadas, oratórios e outros elementos de São Luís passaram a ocupar suas criações, apresentadas em exposições individuais e coletivas. Ao longo dos anos, Ribamar também participou de feiras e eventos, ampliando o alcance de uma produção que transforma referências da cidade em objetos capazes de atravessar fronteiras e chegar às casas de quem deseja guardar consigo um pouco do Maranhão.

“Eu foquei em tudo aquilo que nós temos de mais antigo, de mais belo, de mais profundo, de mais significativo para todos nós”, afirma Ribamar.


Do desenho à queima

A expressão “arte do fogo” não é por acaso. Depois de preparada e modelada, a peça passa por diferentes etapas, como secagem, acabamento, desenho e pintura. Dependendo da técnica empregada, recebe esmaltação e segue para o forno, onde a queima em alta temperatura garante resistência e consolida o acabamento.

É um processo que exige precisão, controle e tempo. A temperatura varia de acordo com o tipo de massa, a peça e o acabamento desejado e pode ultrapassar 1.000 °C. Entre preparação, secagem, pintura, queima e finalização, uma única peça pode levar dias até estar completamente pronta.

Para Ribamar, porém, o resultado vai muito além da técnica. Ao reproduzir uma fachada, uma igreja ou outro elemento característico da cidade, ele transforma referências reconhecíveis de São Luís em pequenas representações da capital maranhense.

“Hoje, minhas peças carregam a marca e o registro da nossa identidade, daquilo que temos de mais belo do nosso patrimônio mundial”, resume.

Essa conexão entre artesanato e turismo permite que a experiência de conhecer São Luís continue mesmo depois da viagem. Um prato decorativo, uma xícara ou um porta-joias inspirado nos azulejos da cidade pode se transformar em uma lembrança afetiva e levar para longe uma referência visual e cultural de São Luís.

A cerâmica e a azulejaria fazem parte de um universo ainda mais amplo de saberes presentes no artesanato maranhense. Fibras naturais, madeira, bordados, rendas, biojoias, trançados e peças inspiradas nas manifestações da cultura popular também revelam a diversidade e a riqueza de quem produz no estado.

No aniversário de São Luís, celebrar esses artistas é reconhecer que cultura e patrimônio também permanecem vivos quando encontram novas formas de expressão. Os azulejos continuam nas fachadas, contando histórias pelas ruas da cidade, enquanto suas referências ganham novos espaços nas oficinas, feiras, exposições e casas de quem escolhe levar um pouco de São Luís na bagagem.

Para quem deseja conhecer e adquirir essas criações, o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (CEPRAMA), na Madre Deus, reúne trabalhos de artesãos maranhenses. Entre cerâmicas, azulejos, fibras, madeira, bordados e outras peças, o visitante pode encontrar uma lembrança de São Luís ou escolher um presente que carregue consigo um pouco da identidade, da cultura e da memória do Maranhão.




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