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segunda-feira, 29 de junho de 2026

No compasso do tambor, nasce a arte

No Dia Nacional do Bumba Meu Boi, chapéus bordados, biojoias de sementes e outras criações dos artesãos revelam como a tradição maranhense ganha forma, preserva memórias e encanta moradores e turistas.

O som das matracas ecoa pelas ruas históricas da Madre Deus. Os pandeirões marcam o ritmo, os brincantes seguem em cortejo e, a cada passo, o Maranhão reafirma uma das mais belas manifestações da cultura popular brasileira.

Neste 30 de junho, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Bumba Meu Boi, a homenagem vai muito além da brincadeira. Ela alcança as mãos que, silenciosamente, bordam, costuram, esculpem e transformam matéria-prima em patrimônio cultural. Antes de o boi ganhar os terreiros, os arraiais, o cortejo de São Pedro e o tradicional encontro de São Marçal, ele nasce no talento dos artesãos.

Cada chapéu bordado com miçangas e canutilhos, cada indumentária cuidadosamente confeccionada, cada instrumento, máscara, miniatura de boi, escultura em madeira ou biojoia produzida com sementes guarda séculos de tradição. São peças que carregam histórias, fé, ancestralidade e a identidade de um povo que transformou a cultura popular em um de seus maiores patrimônios.

No Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), essa tradição permanece viva durante todo o ano. Instalado no histórico prédio da antiga Fábrica Cânhamo, o espaço reúne dezenas de artesãos que preservam técnicas transmitidas entre gerações e proporciona aos visitantes uma verdadeira imersão na cultura maranhense.

Mais do que um espaço dedicado ao artesanato, o Ceprama é um encontro entre passado e presente. Quem percorre seus corredores conhece a história do casarão, visita ambientes que preservam a memória da antiga fábrica têxtil, observa as carroagens históricas e se encanta com peças que representam o Bumba Meu Boi, o Tambor de Crioula, o Reggae, os azulejos de São Luís e outras expressões da identidade cultural do Maranhão.

Foi essa experiência que encantou a turista Ana Carolina Brazão, que visitou o Ceprama no último sábado antes de acompanhar a programação junina.

“Achei que iria encontrar apenas uma feira de artesanato, mas encontrei um lugar cheio de história. Conhecer o casarão, entender a importância da antiga fábrica, ver as carroagens e depois encontrar peças produzidas pelos próprios artesãos tornou tudo ainda mais especial. Depois dessa visita, assistir ao cortejo de São Pedro ganhou outro significado.”

O turista Jefferson Silva também fez questão de levar um pouco do Maranhão na bagagem.

“Compramos lembranças inspiradas no Bumba Meu Boi e em outras manifestações culturais. Cada peça conta uma história. O Ceprama nos mostrou que o artesanato também preserva a memória do Maranhão e faz parte dessa grande festa.”

Para a maranhense Mariana Teixeira, visitar o Ceprama já virou tradição quando recebe familiares.

“Trouxe minha tia e meus primos para conhecer o espaço e comprar artesanato. Eles ficaram encantados com a história do casarão, com as carroagens e com a riqueza das peças. O Ceprama faz a gente entender que o São João não acontece apenas nos arraiais. Ele também nasce nas mãos dos artesãos.”

Entre essas mãos está a artesã Andrelina Neta, que transforma o universo do Bumba Meu Boi em peças carregadas de identidade.

“Cada peça que produzo leva um pouco da nossa história. O Bumba Meu Boi inspira meu trabalho todos os dias. Quando alguém leva uma criação feita por nós, leva junto um pedaço da cultura maranhense.”

Uma das artesãs mais antigas do Ceprama, Lúcia Franco faz das biojoias sua marca registrada.

“As sementes, as fibras naturais e os materiais da nossa terra ganham uma nova vida nas biojoias. Cada peça representa o Maranhão e mostra que o artesanato também preserva nossa cultura e nossas tradições.”

Segundo o diretor do Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão, Silvério Costa, o mês de julho será mais uma oportunidade para aproximar o público da riqueza cultural produzida pelos artesãos maranhenses.

“O Festival das Tradições foi pensado para aproximar ainda mais o público do artesanato e da nossa cultura popular. Durante os dias 3, 4 e 5 de julho, o Ceprama estará de portas abertas para receber maranhenses e turistas com uma programação que reúne feira de artesanato, apresentações culturais, gastronomia típica e experiências que valorizam a identidade do Maranhão. É um convite para conhecer o trabalho dos nossos artesãos e viver a riqueza das nossas tradições.”

Celebrado em 30 de junho, o Dia Nacional do Bumba Meu Boi foi instituído pela Lei nº 12.103/2009, resultado de um projeto de lei apresentado pelo então deputado federal Carlos Brandão. A criação da data reconheceu nacionalmente uma manifestação que encontrou no Maranhão sua expressão mais forte.

Festival das Tradições abre programação de férias no Ceprama

Com o encerramento do calendário junino, o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama) inicia sua programação de férias com o Festival das Tradições, que será realizado nos dias 3, 4 e 5 de julho.

Durante os três dias, moradores e turistas poderão conhecer o trabalho dos artesãos maranhenses, visitar o casarão histórico da antiga Fábrica Cânhamo, apreciar apresentações culturais, experimentar a gastronomia regional e vivenciar experiências que revelam a diversidade das tradições do Maranhão.

Uma homenagem nacional ao Bumba Meu Boi

Celebrado em 30 de junho, o Dia Nacional do Bumba Meu Boi foi instituído pela Lei nº 12.103/2009, resultado de um projeto de lei apresentado pelo então deputado federal Carlos Brandão. A criação da data reconheceu nacionalmente uma manifestação que encontrou no Maranhão sua expressão mais forte e reafirmou a importância de preservar não apenas a brincadeira, mas também os saberes, os ofícios e os artesãos que ajudam a manter viva essa tradição.

Quando os tambores silenciarem após São Marçal, o Bumba Meu Boi continuará vivo. Estará bordado nos chapéus, eternizado nas biojoias de sementes, esculpido na madeira, costurado nas indumentárias e presente em cada lembrança levada por quem passou pelo Maranhão. Porque antes de emocionar multidões, a maior manifestação cultural maranhense nasce nas mãos dos artesãos, homens e mulheres que transformam tradição em legado e fazem da cultura um patrimônio que atravessa gerações.


Serviço

Festival das Tradições

Local: Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama)

Datas: 3, 4 e 5 de julho


Texto e fotos; Geíza Batistta


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