
Com sua voz marcante e uma trajetória de 25 anos dedicada
à música e à cultura popular, Alessandra Loba encantou o público com muito samba e tradição
Primeira edição reuniu apresentações culturais,
oficinas, feira criativa e depoimentos emocionados de moradores, artistas e
visitantes que celebraram a força da cultura popular maranhense
O Centro Histórico de São Luís viveu um domingo
(28) inesquecível, com a realização da primeira edição do Festival Prata da
Casa. Em 12 horas de programação, a Praça Nauro Machado e espaços vizinhos se
encheram de música, dança, teatro, circo, capoeira, artesanato e alegria,
reunindo moradores, turistas, mestres da cultura e novas gerações em um grande
encontro de diversidade cultural.
A abertura ficou por conta da Banda do Bom Menino,
que conduziu cortejo pelas ruas históricas até a chegada do Divino Espírito
Santo. Em seguida, o público acompanhou apresentações da Companhia Tapetes, do
Teatro de Bonecos de Tácito Borralho, de Alessandra Loba, do Tambor Mirim Arte
Nossa, além da Trupe Hu Hu Hu Circo, performances artísticas e rodas de
capoeira. À noite, o palco recebeu Roberto Ricci, Saci Teleleu, Itaércio Rocha
e Rosa Reis, que emocionaram o público.
Oficinas que formam e encantam
Durante o festival, foram oferecidas cinco
oficinas: toque de caixas, capoeira, teatro, dança do tambor e ritmo e canto do
tambor de crioula. O coreiro Francisco Barros, conhecido como Corrêa, conduziu
uma das atividades: “Hoje foi dia de oficina. A gente brincou, explicou como é
feito o tambor, como se dança e colocou o pessoal para aprender com a gente. É
sempre um prazer, porque uma apresentação dessa é bom demais. Eu brinco, desde
pequeno, e fico feliz de estar aqui”, revelou.
Feira criativa e talentos locais
A feira criativa reuniu artesanato, estética afro,
biojoias e produtos ligados à matriz africana. Para a artesã Lúcia Franco, de
69 anos, o momento foi de valorização: “Isso é maravilhoso, é pra estar sempre
acontecendo, porque enquanto a gente se valoriza, os de fora não sabem que nós
existimos. Temos uma cultura maravilhosa, riquíssima, então vamos mostrar tudo
que sabemos fazer. Eu trouxe minhas biojoias feitas com sementes e escamas,
tudo reaproveitado da natureza. A natureza também é cultura, porque sem ela não
seríamos nada”, destacou.
Feirinha Criativa do Festival Prata da Casa reuniu talento,
arte e identidade maranhense, valorizando o trabalho
de artesãos e empreendedores locais
A trancista Bruna Carvalho, participante do grupo
Tambor Arte Nossa, também viveu a experiência de forma especial: “Foi uma
chance incrível que a Tia Simei me deu. Além de dançar, pude trabalhar como
trancista aqui na feira criativa. É muito bom estar nesse espaço”, declarou.
Emoção do público
O festival atraiu famílias inteiras. Rosinete Lopes
levou a filha e as netas e saiu encantada: “Eu nem ia vir, mas minha irmã me
chamou. Cheguei e fiquei surpreendida. Foi um bom dia de apresentações, a gente
fica alegre. Acho que temos que viver essas maravilhas aqui no nosso lugar”.
As crianças também tiveram vez. A pequena Maria
Luísa Guimarães Santos, de 10 anos, contou que foi prestigiar uma amiga e
aproveitou toda a programação. Já outro visitante mirim, de 9 anos, destacou: “Eu
gostei mais da capoeira e do tambor de crioula. Estou aqui com minhas
amiguinhas e achando tudo muito bom”, frisou.
A emoção também marcou a fala de Ana Patrícia, de
49 anos, que se apresentou no tambor de crioula: “O tambor representa tudo pra
mim. Cada dia que eu danço, eu me renovo e me fortaleço. Eu acho que sem o
tambor de crioula não dá mais pra viver. Eu diria às pessoas que ainda não
conhecem: venham, porque não vão se arrepender!”, disse.
O festival também encantou turistas. O baiano André
Lago, de Salvador, fez questão de prestigiar a festa: “Eu sempre procuro o
centro histórico para conhecer bem a cultura local. Hoje foi ainda mais
especial porque me lembrou muito o Pelourinho. Já conheci artesãos, fiz
contatos e estou me sentindo em casa. Foi um encontro com a cultura que me
emocionou”, revelou.
Pertencimento
Para a coordenadora e idealizadora do festival, Simei
Dantas, cada atração trouxe uma carga especial de emoção e pertencimento: “Foi
muito emocionante rever artistas que estavam afastados das programações. Cada
apresentação tem um significado especial, porque são nossos amigos, vizinhos e
parceiros. A Alessandra Loba deu um show magnífico. Estou muito feliz, porque o
festival mostrou que temos público e temos artistas de qualidade que mantêm
viva a cultura nesse território”, ressaltou.
Um espaço de resistência
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| Tambor de Crioula fez a Praça Nauro Machado pulsar com fé, ritmo e tradição no Festival Prata da Casa, celebrando nossa ancestralidade e identidade cultural |
“O nome Prata da Casa traduz esse objetivo:
reconhecer os talentos que estão aqui, que produzem e resistem culturalmente.
Esse festival é uma forma de fortalecer essa diversidade e mostrar nossa
riqueza”, completou Simei.
Realizado pela Associação Folclórica Arte Nossa,
presidida por Simei Dantas, com produção da Time Projetos e Eventos, o projeto
foi contemplado pelo edi
tal Rouanet nas Favelas, via Ministério da Cultura, com
patrocínio da Vale.
Texto e fotos: Geíza Batistta e Gabriel Bartowsk
Assessoria de comunicação: Comunicativa

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