Conhecer a história é o primeiro passo para preservar a memória e valorizar a identidade de um povo. Com esse propósito, teve início neste mês de julho a pós-graduação em História e Cultura Afro-Brasileira e Caribenha. O curso reúne profissionais de diferentes áreas, entre educadores, gestores públicos, pesquisadores e comunicadores, unidos pelo compromisso de transformar o aprendizado em ferramenta de conscientização e cidadania em suas repartições, escolas e meios de comunicação.

A formação vai muito além da teoria tradicional. Logo no primeiro módulo, a turma participou de uma imersão prática que uniu conceitos acadêmicos e vivências em territórios que pulsam a história da população negra no Maranhão. O roteiro incluiu visitas ao Monumento à Diáspora Africana no Maranhão e ao Quilombo da Liberdade, reconhecido como o maior quilombo urbano da América Latina e um dos principais símbolos de resistência e salvaguarda cultural do estado.
A especialização propõe uma reflexão crítica sobre a presença africana na formação social, histórica e cultural maranhense, cruzando temas como diáspora, memória, religiosidade, sustentabilidade e políticas de valorização identitária. Um dos grandes destaques desta largada foi a vinda do Prof. Dr. Sylvain Mbohou, pesquisador originário de Camarões, responsável por ministrar a disciplina Fundamentos da Identidade Afro-Diaspórica: África – Caribe – Brasil – Maranhão. A presença do docente internacional foi viabilizada por meio da Escola de Governo do Maranhão (EGMA), promovendo um rico intercâmbio acadêmico e cultural.
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Ao conectar as rotas que entrelaçam os continentes e as ilhas caribenhas ao cenário local, o professor ressaltou que a identidade afro-diaspórica se constrói a partir de deslocamentos, mas, acima de tudo, de resistências e permanências que atravessam o Atlântico.
“Quando estudamos a diáspora africana, compreendemos que o Maranhão não está isolado dessa história. Ele faz parte de uma rede de experiências culturais, linguísticas e sociais que conecta a África ao Brasil. Conhecer essas relações é fundamental para valorizar a ancestralidade e compreender o presente”, afirmou o Prof. Dr. Sylvain Mbohou.
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“Como jornalista que atua há mais de vinte anos na cobertura ligadas a cultura, turismo, e do artesanato maranhense, percebo que compreender a fundo esse processo histórico torna nosso trabalho ainda mais responsável. Conhecer esses territórios de perto e escutar quem mantém viva essa herança nos dá o estofo necessário para comunicar com mais sensibilidade, respeito e compromisso real com a memória, sem reduzir essas populações a meros produtos turísticos”, jornalista e assessora de comunicação, Geíza Batistta.
No fim das contas, a formação reforça o papel da educação e da comunicação como engrenagens de transformação social. Ao instrumentalizar profissionais que ocupam espaços estratégicos de decisão e difusão de informação, a pós-graduação garante que o conhecimento produzido não fique restrito à academia, mas chegue à ponta, fortalecendo políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas e quebradeiras de coco.
Mais do que uma especialização, este início de jornada desenha um convite indispensável ao reconhecimento das raízes que sustentam o Maranhão, mostrando que o verdadeiro desenvolvimento sustentável caminha lado a lado com a valorização de um patrimônio que segue vivo no cotidiano, nas mãos dos artesãos e na identidade do povo.
Texto e fotos: Geíza Batista

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